Bombeiros acusados de assaltar empresário se entregam

Tito Livio de Paula Franco e Antônio Lázaro da Silva Franco foram flagrados pelo Estado roubando empresário

Pedro Dantas, do Estadão,

16 de agosto de 2007 | 15h36

Os bombeiros Tito Livio de Paula Franco e Antônio Lázaro da Silva Franco, flagrados na quarta-feira, 15, pelo Estado quando, disfarçados de policiais federais, assaltaram e tentaram seqüestrar um empresário na Barra da Tijuca, chegaram na tarde desta quinta à Delegacia Anti-Seqüestro no Leblon, zona sul do Rio. Eles se entregaram ao delegado Fernando Moraes, titular da DAS, em Imbariê, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.    Veja galeria de imagens   Tito é lotado no gabinete do comando-geral do Corpo de Bombeiros, e Antonio Lázaro trabalha na subsecretaria de Defesa Civil do Estado, de acordo com a Polícia.   Informantes da Polícia Civil, com ligações com a DAS e 59ª DP (Duque de Caxias), ambos tinham ficha limpa e conseguiram algumas regalias: negociaram se render em troca de ficarem presos na DAS - e não na 16ª DP, da área onde o crime foi cometido - e chegaram sem estarem algemados. A DAS não informou se apresentará os criminosos à imprensa.   Uma fonte contou ao Estado que os acusados eram conhecidos em Duque de Caxias como policiais, não como bombeiros, e circulavam livremente na 59ª DP, onde, inclusive, davam plantões e atendiam ao público. O delegado titular, Antônio Flores, porém, nega essa afirmação.   Voz de prisão   "Você está preso por lavagem de dinheiro". Com essa frase, o empresário M.A.S. foi surpreendido, na tarde da quarta-feira, 15, por três homens vestidos de policiais federais, num golpe que resultou em roubo de R$ 30 mil e tentativa de seqüestro. O crime ocorreu em uma das mais movimentadas ruas da Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio.   A cena foi flagrada pela reportagem do Estadão, que registrou em fotografias a abordagem ao empresário, dono de uma casa de câmbio e turismo. Ele resistiu com socos e tapas às investidas dos supostos agentes. Ao perceberem a presença do fotógrafo, os bandidos deixaram o empresário e levaram os cerca de R$ 30 mil que estavam com ele, além de seu automóvel.   O diretor executivo da PF, Zulmar Pimentel, informou ao Estadão que, numa investigação preliminar, não foram identificados entre os criminosos nenhum agente federal. Ele disse ainda que não estava prevista nenhuma operação oficial da PF na Barra da Tijuca na tarde desta quarta. Pimentel informou que a polícia continua trabalhando no caso, para identificar os homens.   De acordo com o relato do empresário, o crime, ocorrido na Avenida Armando Lombardi, a principal rua comercial da Barra, começou a ser tramado pela manhã. Foi quando um funcionário de sua empresa recebeu o telefonema de um homem, que se identificou como vendedor da concessionária Ago Veículos, de nome Fernando.   O impostor disse que um cliente precisava trocar US$ 15 mil, para a compra de um veículo da marca Mercedes-Benz. Em seguida, o funcionário da casa de câmbio ligou para a concessionária e confirmou a existência de um vendedor chamado Fernando.   Apressado, o rapaz não conversou diretamente com o suposto vendedor e passou imediatamente a transação a um dos sócios da firma. Ele pegou a quantia solicitada em reais e partiu para a concessionária, levando consigo boletos do Banco Central necessários para fechar o negócio.   Na Avenida Armando Lombardi, um Honda Civic preto, modelo CLX, placa JMS- 2200, com um giroscópio ligado no teto, emparelhou com o carro do empresário, uma Tracker Chevrolet prata. "Eles disseram: 'pára, que é Polícia Federal' e mostraram distintivos e armas. Eu me assustei, mas decidi parar", relatou.   Ao sair do carro, o empresário recebeu "voz de prisão" dos supostos policiais: "Eles disseram que eu estava sendo preso por lavagem de dinheiro. Achei estranho, porque sei que não estou sendo investigado por nada. Reagi e eles disseram: 'quer morrer, meu irmão?'", revelou. A partir desse momento, ele entrou em luta corporal com os homens, e chegou a ter mão direita algemada.   Uma equipe de reportagem do Estadão, que se preparava para almoçar num restaurante próximo ao local, estranhou a movimentação e se aproximou. Ao chegar mais perto, o fotógrafo pensou que se tratava de uma operação da PF. Ao perceberem sua presença, os criminosos largaram o empresário, ainda de algema na mão, e fugiram. Um dos homens levou o carro dele com o dinheiro e os boletos do Banco Central.

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