Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Bombeiros encontram sétimo corpo e segunda embarcação de naufrágio em Itaguaí

Hipótese é de que vento forte provocou acidente; ao menos quatro pessoas estão desaparecidas

Constança Rezende, Denise Luna e Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

09 Junho 2018 | 12h45
Atualizado 09 Junho 2018 | 18h49

RIO -  Equipes da Marinha e do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro encontraram, na tarde deste sábado, 9, a "Lucas Mar", segunda embarcação que se envolveu em um acidente na madrugada de sexta-feira, 8, na Baía de Sepetiba, em Itaguaí, no Rio de Janeiro. O corpo da sétima vítima do naufrágio também foi localizado neste sábado. Ao menos quatro pessoas seguem desaparecidas e as buscas devem ser retomadas na manhã deste domingo, 10. 

As buscas pelos desaparecidos do naufrágio foram retomadas às 7h deste sábado, e foram interrompidas no fim da tarde, informou a assessoria do corpo de bombeiros. Dezesseis dos 21 pescadores amadores e barqueiros que estavam nos dois barcos pesqueiros que afundaram foram resgatadas, sendo nove com vida e sete mortos.

A Marinha e Corpo de Bombeiros fazem uma ação conjunta pelo mar e pelo ar, com o uso de aeronaves e barcos para vasculhar a área, informou a assessoria. A causa do naufrágio ainda é desconhecida. A suspeita é de que as embarcações foram atingidas por um forte vento, já que chovia e ventava na hora do acidente, mas a Marinha ainda está investigando o caso.

Um dos sobreviventes, o agente de saúde Fabrício Remann, contou que os fortes ventos atingiram o barco, que virou repentinamente. Ele e outros dois sobreviventes ficaram à deriva, em cima de um colchão, até serem resgatados por pescadores.

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Segundo o capitão de mar e guerra da Marinha Sérgio Salgueirinho, o órgão enviou comunicado para a comunidade marítima na manhã do dia do acidente, incluindo associações de pescadores, alertando para o mau tempo. Mas o cumprimento da ordem para não embarcar nessas situações não é obrigatório e não havia fiscalização no porto naquele momento.

“Já abrimos inquérito para apurar as causas, porém nossa preocupação maior agora é em busca de vidas. Quanto mais rápido agirmos, maiores são as chances de encontrar”, disse Salgueirinho. Os sobreviventes foram socorridos, a maioria com hipotermia.

Rosemeri Amaral, cunhada de um dos desaparecidos, Neilton Andrade, de 57 anos, disse que ele costumava pescar com os amigos por hobby. Segundo ela, um dos sobreviventes contou que uma forte ventania e uma chuva de granizo atingiram a embarcação. “Não estávamos preocupados porque eles costumavam fazer isso há muitos anos e sempre com o mesmo barco”, disse ela. “Essa espera é angustiante.” Andrade é açougueiro e tem quatro filhos, um deles estava no porto da Ilha da Madeira, em busca de informações. No barco em que o açougueiro estava, havia 12 amigos.

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Outro desaparecido é o barqueiro Lucas Barbosa, dono de uma das embarcações que afundou, a Lucasmar. Segundo um amigo de Barbosa, o também barqueiro Igor Santos, o marinheiro tinha experiência nesse tipo de passeio para pesca e turismo. “Ele entendia de mar, mas com o quase tornado que atingiu o barco não teria condições de evitar que virasse.”

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