Richard Santos/Prefeitura do Rio.
Richard Santos/Prefeitura do Rio.

Bombeiros encontram corpo da última vítima desaparecida na Muzema

Número de mortos após desabamento de prédios na zona oeste do Rio de Janeiro chegou a 23

Daniela Amorim e Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2019 | 12h47
Atualizado 21 de abril de 2019 | 20h16

As equipes de resgate do Corpo de Bombeiros encontraram, nos primeiros minutos deste domingo, 21, o corpo da última vítima desaparecida no desabamento de dois prédios na comunidade da Muzema, na zona oeste do Rio de Janeiro, no último dia 12. Com isso, o número de mortos na tragédia chega a 23. Mais de um terço dos mortos eram crianças, a maioria com menos de dez anos. 

O último corpo encontrado foi o de Juliana Martins de Souza, de 28 anos. A filha dela, Ana Júlia, 6, já havia sido retirada dos escombros, também sem vida. “Com esse resgate, a corporação encerra um ciclo de mais de duzentas horas ininterruptas de trabalho de busca. De acordo com informações compiladas na área do acidente, não há mais nenhuma pessoa desaparecida”, informou, em nota, o Corpo de Bombeiros, que deu as buscas por encerradas.

Desde a tragédia, foram retirados 21 corpos dos escombros. Outras duas pessoas que foram resgatadas com vida acabaram morrendo quando recebiam atendimento em hospitais do Rio. Dentre as vítimas, pelo menos 11 pessoas eram de apenas três famílias. 

Ana Carla Batista, 30 anos, e Jefferson Trajano, 28, foram encontrados sob os escombros na semana passada. No sábado, 20, os bombeiros encontraram os corpos dos filhos do casal, Enzo, 6, e Arthur, 4.

Sobrevivente da tragédia, Paloma Paes Leme perdeu o marido, Raimundo Nonato do Nascimento, e três filhos, com idades entre sete e 15 anos. O caçula, de quatro anos, foi resgatado com vida e se recupera junto com a mãe no Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, zona sul do Rio.

A queda dos edifícios também vitimou três pessoas de uma família que havia se mudado do Maranhão. Hiltonberto Rodrigues de Souza e sua mulher, Maria Nazaré, foram encontrados já sem vida. O filho mais velho do casal, Hilton Guilherme, chegou a ser socorrido na madrugada seguinte à queda, mas morreu no hospital. A única sobrevivente foi a filha caçula, de apenas três anos. 

Dentre os oito feridos, quatro já tiveram alta dos hospitais, enquanto os outros ainda permanecem internados. Pelo menos um dos casos é considerado grave.

Demolição

Com o fim das buscas, a Prefeitura do Rio agora se prepara para demolir pelo menos três edifícios que ficam no entorno dos que desabaram. O número de prédios que podem ser condenados, porém, pode aumentar. Agentes da Defesa Civil atuam no local para fazer inspeções e orientar as demolições necessárias. Além deles, equipes de saúde, assistência social e guardas municipais permanecem no condomínio auxiliando moradores. 

Desde sexta-feira, a Polícia Civil procura três pessoas apontadas como responsáveis pelos edifícios que ruíram. São considerados foragidos José Bezerra de Lima, conhecido como Zé do Rolo, responsável pela construção dos edifícios, e Renato Siqueira Ribeiro e Rafael Gomes da Costa, que atuavam como vendedores. Eles respondem por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar.

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