Bombeiros são denunciados de participar de roubo a empresário

Segundo informações policiais, os três homens que levaram R$ 30 mil de um empresário já foram identificados

Pedro Dantas,

16 de agosto de 2007 | 12h45

Dois bombeiros devem ser presos nas próximas horas pelo roubo de R$ 30 mil e pela tentativa de seqüestro contra o empresário M.A.S, praticado por volta das 13h30 de quarta-feira e registrado, com exclusividade, por uma equipe de reportagem do Estadão que passava pelo local. A ação aconteceu na Barra da Tijuca, bairro nobre da zona oeste do Rio.    Veja galeria de imagens   Três homens foram fotografados usando uniformes falsos da Polícia Federal, no momento em que abordavam o empresário. De acordo com o delegado Carlos Augusto Nogueira Pinto, da 16ª Delegacia de Polícia, eles foram denunciados por colegas indignados com a participação deles no caso. A polícia já tem a identificação informal do terceiro participante do crime, mas não irá revelar o nome de nenhum deles, enquanto não tiverem sido presos.   Nesta quinta-feira, 16, dois funcionários da casa de câmbio que negociaram com os bandidos uma falsa transação de moedas serão ouvidos pela polícia. "É óbvio que houve um estudo da rotina da vítima e do funcionamento da agência de câmbio. Porém, é leviano afirmar qualquer coisa antes de ouvirmos os depoimentos", disse o delegado.   "Você está preso por lavagem de dinheiro". Com essa frase, o empresário M.A.S. foi surpreendido, na tarde da quarta-feira, 15, por três homens vestidos de policiais federais, num golpe que resultou em roubo de R$ 30 mil e tentativa de seqüestro. O crime ocorreu em uma das mais movimentadas ruas da Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio.   A cena foi flagrada pela reportagem do Estadão, que registrou em fotografias a abordagem ao empresário, dono de uma casa de câmbio e turismo. Ele resistiu com socos e tapas às investidas dos supostos agentes. Ao perceberem a presença do fotógrafo, os bandidos deixaram o empresário e levaram os cerca de R$ 30 mil que estavam com ele, além de seu automóvel.   O diretor executivo da PF, Zulmar Pimentel, informou ao Estadão que, numa investigação preliminar, não foram identificados entre os criminosos nenhum agente federal. Ele disse ainda que não estava prevista nenhuma operação oficial da PF na Barra da Tijuca na tarde desta quarta. Pimentel informou que a polícia continua trabalhando no caso, para identificar os homens.   De acordo com o relato do empresário, o crime, ocorrido na Avenida Armando Lombardi, a principal rua comercial da Barra, começou a ser tramado pela manhã. Foi quando um funcionário de sua empresa recebeu o telefonema de um homem, que se identificou como vendedor da concessionária Ago Veículos, de nome Fernando.   O impostor disse que um cliente precisava trocar US$ 15 mil, para a compra de um veículo da marca Mercedes-Benz. Em seguida, o funcionário da casa de câmbio ligou para a concessionária e confirmou a existência de um vendedor chamado Fernando.   Apressado, o rapaz não conversou diretamente com o suposto vendedor e passou imediatamente a transação a um dos sócios da firma. Ele pegou a quantia solicitada em reais e partiu para a concessionária, levando consigo boletos do Banco Central necessários para fechar o negócio.   Na Avenida Armando Lombardi, um Honda Civic preto, modelo CLX, placa JMS- 2200, com um giroscópio ligado no teto, emparelhou com o carro do empresário, uma Tracker Chevrolet prata. "Eles disseram: 'pára, que é Polícia Federal' e mostraram distintivos e armas. Eu me assustei, mas decidi parar", relatou.   Ao sair do carro, o empresário recebeu "voz de prisão" dos supostos policiais: "Eles disseram que eu estava sendo preso por lavagem de dinheiro. Achei estranho, porque sei que não estou sendo investigado por nada. Reagi e eles disseram: 'quer morrer, meu irmão?'", revelou. A partir desse momento, ele entrou em luta corporal com os homens, e chegou a ter mão direita algemada.   Uma equipe de reportagem do Estadão, que se preparava para almoçar num restaurante próximo ao local, estranhou a movimentação e se aproximou. Ao chegar mais perto, o fotógrafo pensou que se tratava de uma operação da PF. Ao perceberem sua presença, os criminosos largaram o empresário, ainda de algema na mão, e fugiram. Um dos homens levou o carro dele com o dinheiro e os boletos do Banco Central.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.