EFE/Antonio Lacerda
EFE/Antonio Lacerda

Tiroteio na Urca assusta moradores e fecha bondinho pela primeira vez desde 1912

Segundo a Polícia Militar, o Batalhão de Choque (BPChq) iniciou às 8h uma operação planejada nas comunidades Babilônia e Chapéu Mangueira, no Leme,onde há uma guerra entre facções rivais do tráfico

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

08 Junho 2018 | 15h43
Atualizado 08 Junho 2018 | 21h25

Um intenso tiroteio entre policiais e traficantes, na tarde desta sexta-feira, 8, levou pânico à Urca, bairro de classe média alta do Rio e área militar, e deixou a circulação do bondinho do Pão de Açúcar, um dos principais pontos turísticos do País, suspensa por duas horas. É a 1.ª vez que o teleférico, inaugurado em 1912, deixa de circular pela violência. Um grupo de cerca de 100 pessoas, incluindo dezenas de crianças, ficou isolado no Morro do Pão de Açúcar. O Aeroporto Santos Dumont, no centro, também foi fechado por 15 minutos, porque a Urca fica na rota de pouso e decolagem.

++ Sobe para seis o número de mortos em naufrágio no Rio

"Foi muito tiro e a situação ficou bem tensa lá em cima”, contou um funcionário do Pão de Açúcar, que não quis ser identificado, mas acompanhava um grupo de 36 meninos e meninas. “Minha preocupação era com as crianças.”

Segundo a Polícia Militar, o Batalhão de Choque iniciou às 8 horas uma operação planejada com base em dados de inteligência nas comunidades Babilônia e Chapéu Mangueira, onde há uma guerra entre facções rivais do tráfico desde o início do mês. O morro fica no limite entre os bairros do Leme, da Urca e de Botafogo, na zona sul.

Ainda segundo a PM, por volta das 13 horas os policiais se depararam com bandidos armados na mata acima das comunidades e houve intenso tiroteio. Encurralado, o bando tentou fugir por cima do morro, cuja outra face é voltada para a Praia Vermelha, na Urca. 

Área militar, a Urca concentra a Escola Superior de Guerra, o Instituto Militar de Engenharia e um batalhão do Exército. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra um dos bandidos tentando descer pela pedra e alcançar a praia. Ele acabou preso e seis fuzis foram apreendidos. Dois policiais foram feridos por estilhaços de granadas, mas estão fora de perigo.

A polícia usou um helicóptero e um jet ski na perseguição dos criminosos. O bondinho do Pão de Açúcar parou de funcionar às 15 horas e só reabriu por volta das 17 horas. Já o aeroporto teve as atividades suspensas entre 15h15 e 15h30. Segundo a Infraero, o aeroporto já havia sido fechado este ano, em março, por causa de tiroteio. 

Pânico

Pelas redes sociais, moradores publicaram imagens do tiroteio e relataram cenas de pânico no bairro, que sempre foi considerado tranquilo justamente pela presença dos militares. “Era muito tiro, muito tiro. Estou tremendo até agora”, contou uma internauta.

Algumas pessoas se abrigaram em um restaurante. No Espaço de Desenvolvimento Infantil Gabriela Mistral, na Urca, crianças se preparavam para um passeio no Pão de Açúcar e foram mantidas presas na sala de aula durante o tiroteio. 

Outro grupo de aproximadamente 20 crianças, juntamente com turistas, estava já na estação quando a circulação do bondinho foi suspensa. Cerca de cem pessoas ficaram presas no Morro do Pão de Açúcar sem poder descer enquanto durou a troca de tiros, entre elas um grupo de 36 crianças pequenas. Por segurança, foram levadas para um auditório e receberam comida e água dos administradores do local turístico.

“As crianças estavam tranquilas e não perceberam o que aconteceu”, contou o funcionário que acompanhava o grupo. “Mas nos orientaram a ficar dentro do anfiteatro, que é um local mais protegido.”

O uruguaio Gonzalo Taveira foi um dos turistas que ficou abrigado no anfiteatro. “O Rio é uma cidade muito bonita, mas tem de controlar essa questão da segurança”, disse. “Estávamos em segurança, mas dava para ouvir os disparos.”

Mais conteúdo sobre:
Rio de Janeiro [cidade RJ]

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.