WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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Bope afasta 14 agentes investigados pelo sumiço de Amarildo

A Polícia Militar vai investigar esses PMs em um inquérito policial militar aberto na última segunda-feira; nomes não foram divulgados

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

23 de junho de 2015 | 20h52

Atualizada às 21h02

RIO - O Batalhão de Operações Especiais (Bope), tropa de elite da Polícia Militar do Rio, afastou das funções 14 policiais investigados no episódio do sumiço do pedreiro Amarildo de Souza na favela da Rocinha, zona sul do Rio, em julho de 2013. O Bope não divulgou o nome dos policiais. A Polícia Militar vai investigar os agentes em um inquérito aberto na segunda-feira. 

Um relatório pericial da Divisão de Evidências Digitais e Tecnológicas do Ministério Público, a partir da análise de câmeras nas proximidades da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da favela da Rocinha, aponta que a movimentação do Bope no dia em que o pedreiro desapareceu contraria o depoimento judicial do major Edson Santos, ex-chefe da unidade e um dos 25 réus do processo. 

As imagens são investigadas pela 15.ª Promotoria de Investigação Criminal, em inquérito separado do que apura a morte de Amarildo. Segundo os peritos, os 14 PMs do Bope desceram de duas caminhonetes e patrulharam a comunidade por 90 minutos, enquanto o comandante da UPP afirmou à Justiça que a orientação era que bastava circular de carro. 

Foi em um desses carros que, ao deixar a UPP, as câmeras captaram um “volume” na caçamba sem capota, entre três policiais. Os peritos concluíram que esse “objeto” apresentava “pontos reflexivos de intensidades variáveis, em tese, produzidos por materiais diferentes e compatíveis com matéria-prima sintética do tipo PVC, polipropileno e/ou similares”. Testemunhas ouvidas no processo criminal afirmaram que o corpo de Amarildo foi ocultado com uma capa preta de motocicleta por policiais. 

O relatório diz também que os agentes nos dois carros, ao voltarem para perto da sede da UPP após o patrulhamento, permaneceram por 27 minutos parados no local, o que contraria a versão do major, de que os agentes do Bope e ele conversaram por “5 ou 6 minutos” após voltarem ao contêiner da UPP.

Inquérito. Os 14 policiais do Bope que ocupavam os dois veículos já haviam sido ouvidos no processo, mas não só negaram o envolvimento no sequestro e morte de Amarildo como confirmaram que estavam lá acionados pela UPP, que teria sofrido ameaças de traficantes. 

Para a família do pedreiro, o fato traz esperança de que o corpo venha a ser encontrado. “Pelo menos é uma esperança”, disse Elizabeth Gomes da Silva, viúva de Amarildo. 

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