WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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Bope pode estar envolvido no sumiço do pedreiro Amarildo

Imagens de câmeras mostram caminhonetes do Batalhão de Operações Especiais; policias desligaram GPS de um dos veículos

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

22 de junho de 2015 | 22h23

RIO - Imagens de câmeras instaladas em ruas da favela da Rocinha, na zona sul do Rio, podem levar o Ministério Público do Rio a descobrir o que foi feito com o corpo do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, desaparecido na noite de 14 de julho de 2013, aos 48 anos. Policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope) podem estar envolvidos no caso. 

Naquela noite, Amarildo foi conduzido por PMs à sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha para averiguação e sumiu. A polícia concluiu que ele foi torturado e morto pelos policiais. Vinte e cinco policiais militares, todos da UPP da Rocinha, foram denunciados por tortura e morte. Desses, 16 também respondem por ocultação de cadáver. 

As imagens obtidas pelo Ministério Público e divulgadas nesta segunda-feira, 22, pelo Jornal Nacional, da TV Globo, mostram que na noite de 14 de julho quatro caminhonetes do Batalhão de Operações Especiais da PM (Bope) foram até a UPP. A presença dos policiais desse batalhão de elite já era conhecida – o então comandante da UPP, major Edson Santos, um dos condenados, chegou a declarar durante a investigação do caso que chamara o reforço do Bope por medo de um ataque de traficantes. 

A novidade é que os policiais desligaram o GPS de uma das caminhonetes do Bope – o aparelho só voltou a funcionar 58 minutos depois. 

Vídeo. As imagens da primeira câmera que registra o trajeto de volta das caminhonetes não são nítidas, mas foram cuidadosamente tratadas a pedido do Ministério Público. Isso permitiu concluir que na carroceria existe um volume, aparentemente enrolado em saco plástico preto. Embora o tamanho seja compatível com um corpo humano, por enquanto não há indício de cadáver. A suspeita decorre do fato de o corpo de Amarildo nunca ter sido encontrado. Por isso, o MPE quer descobrir o que havia na caminhonete. 

Uma segunda câmera registra a passagem das caminhonetes em um trecho bem mais à frente, no trajeto de saída da UPP. Nesse momento, conforme as imagens, já não há mais policiais na caçamba nem é possível identificar o volume. 

Mas entre a primeira e a segunda câmera, segundo o GPS de outra caminhonete do comboio, os veículos pararam em um ponto cego (não alcançado por nenhuma câmera) durante cerca de dois minutos. 

Uma hipótese investigada pelo Ministério Público é de que o volume tenha sido descartado ali. Outra possibilidade é que tenha sido rearranjado na caçamba, ficando em lugar menos visível – sob um banco que existe na carroceria, por exemplo. 

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