Bope realiza reintegração de prédios do Minha Casa, no Rio

Desocupação se iniciou por volta das 8h40; 2 comunidades vizinhas ao condomínio da zona norte do Rio são vigiadas pela Polícia Militar

Tiago Rogero, O Estado de S. Paulo

19 de novembro de 2014 | 07h32

Atualizado às 10h15

RIO - O Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro ocupa desde as 5h desta quarta-feira, 19, as duas comunidades no entorno do condomínio do Minha Casa Minha Vida ocupado há 12 dias por mais de 200 famílias em Guadalupe, na zona norte da capital fluminense. Por volta das 8h40, os oficiais de Justiça chegaram ao local para começar a cumprir a decisão de reintegração de posse dos 240 apartamentos, distribuídos em 11 prédios.

Comandante do 41º Batalhão (Irajá), o tenente-coronel Luiz Carlos Leal disse esperar uma ação tranquila. Segundo ele, muitos ocupantes já deixaram o condomínio nesta semana e, no início desta quarta-feira, havia pouco mais de 100 pessoas lá dentro.

Pela grade, foi possível ver os ocupantes reunidos em uma roda, em frente aos prédios, a exemplo do que fizeram na sexta-feira, 14, primeiro dia após a decisão de reintegração de posse, quando também se juntaram para rezar.

De acordo com o porta-voz da PM, tenente-coronel Claudio Costa, a operação até as 10h era tranquila e os oficiais percorriam sem problemas os 240 apartamentos. Apesar do policiamento ostensivo no entorno do condomínio, os oficiais entraram somente com alguns dos comandantes dos batalhões que fazem parte da operação. 

O efetivo da PM segue concentrado nas favelas no entorno dos prédios e na porta; dentro do condomínio, só oficiais de Justiça, alguns funcionários da prefeitura e os poucos moradores que ainda tiram seus pertences, como colchões, roupas e TVs, sem resistência ao cumprimento da decisão de reintegração de posse.

"Eu morava de aluguel, abandonei o barraco em que morava e vim para cá. Agora vou voltar para lá e ver se alguma amiga me abriga até conseguir um novo lugar para morar", disse Célia Rodrigues, de 63 anos, que empurrava seus objetos rua acima em um caixote velho com rodas.

Já Celi Santana, de 41 anos, lembrou a declaração do prefeito Eduardo Paes (PMDB). "Esquece governador, prefeito. Aqui, só quem nos tratou como gente foi o comandante da PM. Eu só queria que o Eduardo Paes estivesse aqui para ver a cara dessas crianças, trabalhadores e idosos que ele chamou de vagabundos."

 

Invasão. Nos primeiros dias de ocupação, criminosos armados foram flagrados dentro do condomínio e nas comunidades do entorno. Segundo o tenente-coronel, eram traficantes de comunidades vizinhas que estavam de passagem pelo condomínio - os prédios foram construídos na área do Complexo do Chapadão, principal zona de confronto hoje entre policiais e criminosos no Rio, que não conta com Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

Para evitar ataques de traficantes durante a ocupação, militares do Bope ocuparam as Favelas do Gogó e Pedra Rasa, que ficam ao lado dos prédios.

A PM atua também com pelo menos um helicóptero e blindados. A rua em frente ao condomínio está interditada e moradores estão sendo impedidos de passar. Um hospital de campanha foi montado pelo Corpo de Bombeiros e haverá apoio também de ambulâncias do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), garantiu a PM.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.