Bope vai subir Complexo do Alemão para conter violência

Nesta terça-feira, 22, escolas públicas ficaram novamente fechadas. Comerciantes baixaram as portas e teleférico não funcionou

O Estado de S. Paulo

22 de julho de 2014 | 19h40

RIO - Após mais um dia de tiroteios, a PM lançará mão de seus batalhões especializados, como o de Operações Especiais (Bope), para conter a violência no complexo de favelas do Alemão, na zona norte do Rio. Nesta terça-feira, 22, escolas públicas ficaram novamente fechadas: mais de 11 mil crianças e adolescentes não tiveram aula. Apesar do policiamento reforçado, comerciantes baixaram as portas. O teleférico, que não opera há quase uma semana, continua sem funcionar por conta dos tiroteios - 12 mil pessoas estão sem o transporte.

Houve novo tiroteio na madrugada desta terça, mas sem feridos. Pela manhã, tiros foram ouvidos. As novas operações têm como principal objetivo cumprir os quase 40 mandados de prisão contra suspeitos de tráfico que deveriam ter sido presos há uma semana. Na quarta-feira da semana passada, 16, mais de 500 PMs vasculharam o Alemão em busca dos suspeitos - naquele dia, somente um foi preso. Um possível vazamento da operação foi apontado como causa.

A PM informou que, desde quinta-feira, 17 tem feito ações de varredura para encontrar esconderijos de criminosos e armas. Os tiroteios têm sido ainda mais frequentes. Só no fim de semana, dois homens apontados como traficantes morreram após troca de tiros com PMs. No domingo, uma base de UPP foi atacada e mais de cem disparos foram efetuados. Desde o início do ano, cinco PMs morreram em confrontos com traficantes na região.

Menores no tráfico. Segundo o comandante das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs), coronel Frederico Caldas, preocupa a participação cada vez maior de menores no tráfico de drogas no Alemão. Só entre janeiro e maio deste ano, de acordo com dados do Instituto de Segurança Pública, 66 adolescentes foram apreendidos na região. “Esse número evidencia a participação de menores no tráfico. Com a prisão dos principais líderes, ocorre essa renovação”, afirmou o coronel.

A PM reforçou o policiamento em toda a comunidade, mais especificamente nas três favelas do complexo onde o tráfico é mais forte: Fazendinha, Nova Brasília e Morro do Alemão. As quatro UPPs do Alemão, que contam com um efetivo de 1.230 policiais, estão recebendo um reforço diário de 300 PMs. Nas comunidades da Penha, logo ao lado, há outras quatro UPPs. No total, mais de 2 mil PMs trabalham nas oito UPPs da região, que por muitos anos operou como quartel general da facção que domina o tráfico no Rio.

Nesta segunda-feira, 6.930 crianças já tinham ficado sem aulas. Nesta terça, o número passou para 11.537 - são alunos de 25 escolas, uma creche e 6 Espaços de Desenvolvimento Infantil. Ainda não há previsão para o retorno da operação do teleférico do Alemão, de acordo com a concessionária Supervia, que administra o equipamento, sem funcionar desde quinta-feira da semana passada por “questões de segurança pública”.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.