Cabral quer implantação de trem bala entre Rio e São Paulo

Governo do Rio vai sugerir que Infraero reduza tarifa no Tom Jobim para desafogar São Paulo

ALEXANDRE RODRIGUES,

25 Julho 2007 | 22h01

O governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), quer que o governo federal invista na implantação do trem de alta velocidade entre a capital fluminense e São Paulo como forma de descongestionar os aeroportos paulistas. O governo do Rio também vai sugerir que a Infraero pratique tarifas menores no Aeroporto Internacional Tom Jobim, que tem capacidade ociosa, para ajudar a descongestionar São Paulo atraindo para o Rio o vértice de conexões. O estado já reduziu de 19% para 1% o ICMS para a aquisição de peças de reposição para aviões. Desde 2004, a alíquota de ICMS sobre o combustível de aviões no Rio é de 4%. "Vamos continuar com essa política", disse ao Estado o secretário estadual de Transportes do Rio, Júlio Lopes. Para o secretário, o dinheiro que será investido na construção de um novo aeroporto em São Paulo pode ser melhor aplicado no transporte ferroviário. O trem pode ligar as duas capitais com tarifas menores do que as da ponte aérea, tempo de viagem pouco maior e sem as limitações das condições meteorológicas. "Um novo aeroporto não sairá por menos do que algo entre R$ 5 e R$ 7 bilhões. E não é só construir a pista e o terminal. Será preciso fazer o acesso rodoviário e ferroviário para ligar o aeroporto a São Paulo, já que ele não deve ser construído a menos de 100 quilômetros do centro da capital paulista e de outros centros. Isso custaria mais R$ 1 ou R$ 2 bilhões", opinou Lopes. O custo estimado da ligação ferroviária Rio-São Paulo é de US$ 9 bilhões (cerca de R$ 17 bilhões) e há investidores estrangeiros interessados no projeto, como coreanos, japoneses, franceses, italianos e consórcios brasileiros. "Os trens podem ser confortáveis e ainda não precisam parar com chuva ou neblina." A construção da ligação ferroviária, que ganharia um novo traçado em relação à malha antiga, tem duração prevista de sete anos. Segundo o secretário, em 2015 os 403 quilômetros que separam a Estação da Luz, em São Paulo, e a Central do Brasil, no Rio, poderiam ser completados em até 90 minutos a um custo de R$ 130 por passageiro. O trem, com velocidade de cerca de 300 Km/h, poderia partir a cada 15 minutos. Lopes e Cabral viram na França recordes de velocidade batidos por trens modernos, mas, para o secretário, um similar à primeira geração do TGV francês é suficiente para a necessidade brasileira. Na terça-feira, Cabral aprovou o estudo de viabilidade do trem-bala elaborado pela italiana Italplan numa reunião que também contou com a presença de representantes do BNDES. Segundo Lopes, a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef , pediu ao banco um estudo sobre o projeto em 180 dias para que a licitação possa ser realizada em janeiro de 2008. "Gostei muito do que vi. E esse é um projeto necessário. Eu já falei com a ministra Dilma e ela quer que o trem-bala saia do papel o mais rápido possível", declarou Cabral. Para Lopes, o trem poderá ainda promover o desenvolvimento econômico do interior dos dois estados. Uma das idéias é ter estações em Volta Redonda e Resende, no Estado do Rio, e Taubaté e São José dos Campos, em São Paulo. "Acho que precisamos fazer uma reflexão mais profunda, discutir melhor. Será que vale a pena construir mais um aeroporto, que vai ficar longe da cidade e demandar mais investimentos?", disse o secretário. "O trem é uma alternativa razoável, que impede que fiquemos dependentes de um modal só. Em vez de concentrar os investimentos na aviação, por que não seguir a tendência de vários países da Europa, onde os trens rápidos tem recebido investimentos para atrair passageiros e o movimento na aviação tem caído?", afirmou.

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