Caça-níqueis apreendidos no Rio viram computadores

Equipamentos serão empregados em escolas estaduais e programas sociais em comunidades carentes

Alexandre Rodrigues,

16 Julho 2007 | 21h14

O governo do Estado do Rio apresentou nesta segunda-feira os dois primeiros protótipos de computadores adaptados de máquinas caça-níqueis. Com a autorização da Justiça Federal, a Receita Federal está entregando ao governo estadual equipamentos apreendidos desde o final do ano passado em operações de repressão aos jogos ilegais das polícias Civil e Federal.   Segundo o secretário de Ciência e Tecnologia do Rio, Alexandre Cardoso, o governo estadual pretende transformar 3 mil caça-níqueis em computadores até o fim do ano. Eles serão empregados em escolas e programas de inclusão digital. A transformação das máquinas está sendo feita num dos laboratórios do Instituto Superior de Tecnologia do Rio, em Quintino, na zona norte. Segundo o coordenador do projeto, professor Marcos Monteiro, que emprega a mão de obra dos alunos do curso de Tecnologia da Informação, as máquinas caça-níqueis apreendidas em bingos já são computadores, dotados de bons monitores de 17 polegadas. A Receita retira o chip programado com jogos e o instituto faz as adaptações, instalando mouse, teclado e modem para o acesso à internet. Gastando apenas R$ 60, o governo estadual transforma uma máquina de bingo em um computador com processador de 2,3 Gb, equivalente a um equipamento do tipo Pentium 4. O governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) foi o primeiro ontem a navegar pela internet em uma das máquinas, que usam o sistema operacional Linux. Além do preço baixo, a carcaça das máquinas dispensa a necessidade de móveis. No lugar dos botões de comando dos jogadores, foi adaptado um suporte para o teclado. Com criatividade, a cavidade destinada aos copos de bebidas dos jogadores foi transformada no espaço destinado ao mouse pad. "Esse equipamento é fantástico, até ergonômico! É feito para a pessoa ficar jogando horas e agora vai servir para educação", comemorou Monteiro. "Essa é uma iniciativa não só simbólica, mas representativa. Transformamos o que seria destruído em instrumento de inclusão", afirmou Cabral. As primeiras 150 máquinas serão destinadas aos núcleos de ensino à distância do Rio. As outras serão empregadas nas chamadas estações digitais, que oferecerá serviços de informática em estações ferroviárias e rodoviárias. O superintendente regional da Receita Federal, Cesar Augusto Barbieiro, informou que 10 mil máquinas já foram apreendidas no Rio desde o ano passado. Além de servirem ao jogo ilegal, os equipamentos ficam sob custódia da Receita por serem fruto de contrabando. Pela lei, elas seriam destruídas. Por isso a reutilização só foi possível com autorização da Justiça Federal. "Retiramos os componentes que poderiam fazer com que elas voltassem a operar com jogos, que serão destruídos em cerimônia pública. Veio para cá aquilo que de maneira inequívoca pode ser utilizado como um computador", explicou Barbieiro.   Para o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, é gratificante para a polícia a "transformação do ilícito em meio de educação". Seguindo a idéia, ele informou que já pediu ao governo federal, por meio da Casa Civil, a alteração no Congresso da lei federal que hoje determina também a destruição de armas apreendidas com traficantes. Arsenais como os que foram apreendidos no Morro do Alemão têm que ser entregues ao Exército para destruição. "Queremos que a legislação contemple a reutilização de armas que sejam de interesse da polícia", afirmou.

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