Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Cães de raça viram alvo de ladrões no Rio

Casos de roubos assustam donos e criadores; promotoria diz que bichos são revendidos

Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

05 Agosto 2015 | 03h00

RIO - Joias, dinheiro e celulares já não são os únicos alvos da cobiça dos criminosos no Rio. Recentemente, os cães de raça entraram na lista de preferência dos ladrões. Os episódios desse tipo vêm comovendo e assustando donos e criadores, além de especialistas na área de defesa dos animais. A Promotoria de Meio Ambiente e Defesa dos Animais identificou uma tendência de roubos de animais de raça para revenda e procriação. 

O episódio mais recente aconteceu no canil Seavilles, em Guaratiba, na zona oeste do Rio, no dia 29. O criador e administrador do local, Amilcar Santos, disse ter sido interpelado no WhatsApp por uma pessoa procurando um buldogue francês. O homem logo depois telefonou com o mesmo pedido. Segundo ele, essa mesma pessoa foi à porta do canil, onde Amilcar também mora. Quando ele atendeu o visitante, foi dominado com uma arma na cabeça. 

Um segundo suspeito teria entrado para ajudar a levar os oito cachorros roubados, dos quais sete eram fêmeas - duas delas da raça buldogue francês com cachorrinhos em gestação no ventre. “A ideia de quem levou é ter os filhotes para vender. É uma coisa premeditada”, diz o criador.

O caso foi registrado na 43.ª Delegacia de Polícia, em Guaratiba. Santos estima que o prejuízo varie entre R$ 40 mil e R$ 50 mil, incluindo vacinas, gastos e potencial de procriação dos cães. Entre os bichos subtraídos estavam dois buldogues franceses, três spitz alemães e três west highland white terrier. “Já colocamos câmeras de segurança depois do roubo.”

Passeio. O susto foi parecido ao sofrido pela escritora e roteirista Letícia Dornelles. Ela teve a cadelinha Alice, uma shih-tzu de apenas dois meses, roubada em julho em um passeio por Copacabana, quando foi tomar água de coco na praia. 

“Eu só vi uma mão passar por trás de mim, pegar a cachorrinha no chão e sair correndo. Nisso eu olhei, e eram dois rapazes, um deles com uma mochila. Na hora eu até me desequilibrei, fiquei atordoada.” Ela não registrou o caso em delegacia. 

O trauma foi grande para o filho dela, Patrick, muito apegado à cachorrinha. “Eu pensei: ‘não posso contar pro meu filho de 4 anos que a cachorra foi roubada. Ele vai ter medo de andar na rua’. Falei que a Alice ficou com saudade da mãe e foi para um sítio encontrá-la.”

Mas a saudade do menino não passava e, no dia 23 de julho, Letícia decidiu comprar uma nova cachorrinha, também da raça shih-tzu. Ela acabou batizada de Alice.

“As pessoas estão se superando. Elas entendem o valor de um bem animal”, diz a promotora de Meio Ambiente e Defesa dos Animais Christiane Monnerat. Segundo ela, raças menores e cachorros menos violentos são os alvos preferenciais dos criminosos. “Entra mais pinscher, maltês, geralmente cães filhotes, que têm um valor melhor, e fêmeas, pelo valor da reprodução. Os animais de grande porte são complicados de levar”, explica. 

A Polícia Civil informou que as ocorrências de casos de roubos de animais domésticos devem ser registrados nas delegacias de bairro

Mais conteúdo sobre:
Rio de Janeiro

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.