Foto: Wilton Júnior/ Estadão
Foto: Wilton Júnior/ Estadão

Carcaça de baleia de 20 toneladas encalha na Praia de Ipanema

Segundo biólogo, será difícil determinar a causa da morte do mamífero por causa do adiantado estado de decomposição

Daniela Amorim e Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

15 Novembro 2017 | 12h13
Atualizado 15 Novembro 2017 | 17h10

RIO - Uma baleia morta bem perto da faixa de areia da Praia da Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro, surpreendeu banhistas que aproveitavam o feriado de sol forte e céu muito azul nesta quarta-feira, 15. O animal, um macho de cerca de 20 toneladas e 14 metros de comprimento, foi primeiro avistado na altura do Posto Oito, no começo da praia, por bombeiros da região de Copacabana, por volta de 8 horas. Não se sabe a causa da morte do mamífero, e será difícil determiná-la, já que o adiantado estado de decomposição do corpo dificulta essa investigação.

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O animal não apresentava ferimentos aparentes e ficou encalhado bem próximo dos banhistas. Estima-se que tenha morrido entre sete e dez dias atrás, e supõe-se que o corpo tenha sido carregado pela correnteza até a praia.

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O biólogo Rafael Carvalho, do Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores (Maqua) do Departamento de Oceanografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), explicou que é possível que a necropsia dê inconclusiva para a causa mortis.

O Rio é rota de passagem das jubartes em seu ciclo migratório. O animal, que se deslocava da Bahia para o extremo Sul da América do Sul, pode ter sido vitimado, segundo o pesquisador, por embarcações que fazem exploração de óleo e gás na região da Bacia de Campos e de Santos com uso de explosivos no fundo do mar. A técnica deixa o animal desorientado e com a saúde fragilizada pelo barulho.

Outra hipótese é infecção por vírus ou bactérias. O biólogo também aventou a possibilidade de a baleia ter sido ferida por uma colisão com barcos. A poluição deteriora a qualidade do ambiente marinho e pode ter contribuído para morte, disse.

"Pela época do ano, possivelmente o animal estava voltando para a região das ilhas Georgia do Sul e Sandwich do Sul para se alimentar, passado o período de reprodução, que se dá no norte do Espírito Santo e o sul da Bahia", explicou Carvalho, que recolheu amostras de gordura e músculo para análise no Maqua. "Não é possível precisar a causa, porque o estado de decomposição estava avançado e, com isso, perdemos muita informação. Vamos fazer uma análise para saber o perfil de contaminação do animal."

A morte de baleias e golfinhos no Rio não é incomum, tampouco o encalhe. Milhares de jubartes circulam na região, e a população é monitorada. Segundo Marcus Lima, presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), já foram registrados oito casos de animais presos junto à costa fluminense em 2017. Há casos de baleias resgatadas com saúde e devolvidas ao mar, outros de animais que já chegaram mortos à praia, e ainda de devolução ao mar e morte posterior.

"A gente está avaliando o que está acontecendo de diferente para elas estarem encalhando, mas talvez isso esteja apenas acontecendo em praias com mais evidência, o que acaba gerando mais comoção", afirmou Lima.

Nesta terça-feira, 14, os técnicos chegaram a cogitar remover o corpo da baleia pelo mar, de modo a levá-lo até o porto do Rio. Mas os agentes concluíram ser melhor içar o animal com um guindaste pela areia da praia e deslocá-lo em uma caçamba para descarte no aterro sanitário de Seropédica, na região metropolitana. A remoção ficou a cargo de agentes da Companhia Municipal de Limpeza Urbana, com auxílio da Guarda Municipal.

Uma equipe do Corpo de Bombeiros se dirigiu ao local de manhã cedo para evitar acidentes decorrentes da aproximação de curiosos, e instalou uma fita para isolar a área. Mesmo assim, muita gente chegou perto e colocou a mão sobre o corpo. Logo foram acionados técnicos do Inea, do Maqua e do  Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Os banhistas se chocaram com o tamanho do animal. A princípio, não sabiam se estava vivo ou morto. Parte se incomodou com o mau cheiro exalado. Dezenas de pessoas se aglomeraram na areia, lamentaram e tiraram fotos.

 

"É muito triste ver um animal enorme como esse imóvel na praia, com as ondas batendo. Uma imagem impressionante. Dava para ver os ossos trazidos pela maré", contou a advogada Andrea Lerner, moradora de Ipanema. 

O Inea informou que desenvolveu um protocolo em parceria com instituições envolvidas no resgate de animais - como Capitania dos Portos, Corpo de Bombeiros e pesquisadores de universidades - para que todos possam agir com mais rapidez em casos de encalhes de baleias

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