WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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Bastidores: Violência no Rio coloca em xeque política de Beltrame

Rumores de que o secretário de Segurança pode ser dispensado aumentaram na última semana; Pezão defende a permanência

Luciana Nunes Leal e Danielle Villela, O Estado de S. Paulo

26 Maio 2015 | 17h30

PIRAÍ - Os constantes episódios de violência em favelas e ruas do Rio colocam em xeque a política de combate ao crime conduzida há oito anos pelo secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. Os rumores de que ele está para ser dispensado aumentaram de uma semana para cá, mas o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) defendeu nesta segunda-feira, 25, em público, a permanência do auxiliar.

Questionado sobre uma possível saída de Beltrame, Pezão respondeu nesta segunda, em visita à cidade de Piraí: “É especulação pura, ele vai ficar firme, preciso muito dele. Isso é fofoca, falta de assunto". 

Delegado da Polícia Federal, Beltrame, de 58 anos, costuma ser descrito como sério e íntegro, mas é criticado por isolar-se na secretaria, com colaboradores de total confiança, sem contato com os demais secretários.

Políticos que acompanham de perto os governos do PMDB no Estado dizem que, especialmente no segundo mandato, o ex-governador Sérgio Cabral teve de administrar queixas dentro da polícia contra o secretário. Mas sempre sustentou que Beltrame era a garantia da consolidação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Pezão tem o mesmo raciocínio.

Para secretários estaduais, Beltrame poderia deixar o cargo por iniciativa própria, já que comanda a secretaria há três governos. Neste caso, acreditam que o substituto será o subsecretário de Planejamento e Integração Operacional, Antônio Roberto Cesário de Sá, se a intenção do governador for manter a atual política de segurança. 

Pezão vê na permanência de Beltrame a sustentação da tese que defende com insistência, de que o combate ao crime precisa de ajustes, mas está no caminho certo. Casos de mortes frequentes em favelas, incluindo as que têm UPP, e crimes de grande repercussão, como a morte do médico Jaime Gold, esfaqueado em assalto na Lagoa, são tratados como pontos isolados, não como indicativos de colapso no sistema de segurança do Estado. 

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