Polícia Civil
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Cenário: a metralhadora apreendida no Rio é um 'canhão'

Desenhada em 1919 e em produção regular nos EUA há 85 anos, a arma é usada em cerca de 120 Forças Armadas

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2018 | 06h00

A metralhadora apreendida nesta quinta-feira, 2, no Rio, é um "canhão". É capaz de cortar um carro blindado ao meio, como em 2016, quando foi usada na guerra do tráfico na fronteira com o Paraguai. Na noite de 15 de junho, Jorge Rafaat, o chefão de uma facção binacional do eixo Pedro Juan Caballero-Ponta Porã, foi assassinado a tiros. Ele viajava em um utilitário Hammer, couraçado com placas cerâmicas - um tipo sofisticado de blindagem - quando foi atingido pelos disparos de uma Browning.50 montada sobre a caçamba de uma caminhonete. O Hammer foi partido em dois.

Desenhada em 1919 e em produção regular nos Estados Unidos há 85 anos, a arma é usada em cerca de 120 Forças Armadas do mundo todo. O fabricante, General Dynamics, mantém o projeto "robusto e confiável" em "constante desenvolvimento". Cada uma das Browning.50 na versão M2HB, a mais avançada, não sai por menos de US$ 15 mil - a preço de catálogo. No mercado negro, o valor pode chegar a mais de US$ 20 mil.

A munição é a maior da série .50 (12,7 mm). A metralhadora pesa de 38 kg a 58 kg, de acordo com a configuração, e dispara na cadência de 450 a 650 tiros por minuto, com alcance de destruição em um raio de 1.800 metros. O uso não é simples. Exige treinamento e bom conhecimento dos mecanismos de acionamento, alimentação e refrigeração.

Desde 2013 ao menos quatro unidades foram apreendidas em arsenais de organizações criminosas de São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro. O Exército brasileiro investiga a origem das armas. A Polícia Federal acredita que tenham sido desviadas de estoques regulares de Forças Armadas de países vizinhos.

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