Chefe do tráfico é solto no Rio mesmo após nova ordem de prisão

Ministério Público do Rio investiga se houve irregularidade na libertação de Edson Silva de Souza, o Orelha

Fábio Grellet , O Estado de S. Paulo

07 de novembro de 2014 | 19h29

RIO - Preso em setembro, Edson Silva de Souza, o Orelha, acusado de ser o chefe do tráfico de drogas no complexo de favelas do Alemão, na zona norte do Rio, foi libertado às 11 horas desta quinta-feira, 6, com base em um habeas corpus concedido pelo Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) na última terça, 4. No entanto, desde quarta, 5 havia uma nova ordem de prisão contra ele, que não foi levada em conta no momento da soltura.

O Ministério Público estadual investiga se houve irregularidade na libertação de Orelha, por conta de não ter sido verificada a nova ordem de prisão.

Orelha foi preso acusado de comandar ataques a Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e incendiar veículos no complexo do Alemão. Outras 24 pessoas foram presas na mesma operação policial, em setembro, e continuam detidas.

Nesta sexta-feira, 7, o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, comentou a libertação de Orelha: “A sociedade é que tem que questionar a liberdade desses marginais. Nós colocamos uma delegacia no Complexo do Alemão, colocamos um delegado recém-formado, uma estrutura de policiais recém-formados, estamos fazendo um trabalho de inteligência policial, prendemos essas pessoas todas na maioria dos casos sem disparar um tiro. Fizemos operações dentro de uma racionalidade e inteligência, mas temos que respeitar o Poder Judiciário. O que as pessoas precisam entender é o que eu já disse e vou repetir: é que segurança pública não é sinônimo de polícia”, afirmou. 

“Se esses presos voltarem para o Alemão vai ser muito difícil, muito ruim para aquela população e para toda a sociedade. Essa é uma discussão muito atual que tem ser feita. A legislação tem que ser discutida, o Ministério Público, o Tribunal de Justiça, o conceito de segurança. Isso tudo precisa ser amplamente discutido porque o lado mais fraco disso tudo é a polícia. A polícia fez uma investigação de seis meses e agora vai ter que refazer todo esse trabalho”, lamentou Beltrame.

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