Chega a 8 total de mortos em ação policial em favela no Rio

De acordo com a PM, operação tem como objetivo a apreensão de drogas e armas na Favela Minha Deusa

Talita Figueiredo, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2008 | 19h17

Oito supostos traficantes morreram em confronto com policias militares do serviço reservado do 14.º Batalhão de Polícia Militar numa mata fechada que fica sobre a Favela Minha Deusa nesta sexta-feira, 18, em Sulacap, na zona oeste do Rio. Os traficantes seriam da quadrilha que comanda os pontos-de-venda de drogas da Vila Vintém, na zona oeste, e da favela Minha Deusa - Amigo dos Amigos (ADA). Veja também: Flores e faixas homenageiam policiais metralhados no RioPolícia prende acusado de matar jovens da Providência De acordo com policiais militares que participaram da operação, a PM foi informada por uma série de ligações de disque-denúncia na noite de quinta-feira para o batalhão sobre a tentativa de aumentar a ocupação dos traficantes. Por volta das 2h30 desta sexta, o 14.º BPM montou uma operação e ocupou a favela. Houve troca de tiros durante parte da madrugada, sem vítimas. Por volta das 9 horas, uma equipe do serviço reservado do batalhão chegou com a informação de que parte dos traficantes não teria conseguido fugir do local e estaria escondido na mata acima da favela.  Quatro homens da PM subiram a mata e, duas horas depois, ouviram vozes e identificaram um grupo de cerca de 12 traficantes escondidos próximo a uma gruta. Eles surpreenderam os criminosos e mataram oito deles. Os outros quatro conseguiram fugir. Até as 19 horas, nenhum dos mortos tinham sido identificados.  Segundo a PM, em razão dos tiros de fuzil e do uso de uma granada pelos traficantes, a mata que estava seca começou a pegar fogo. Por causa da dificuldade de acesso, os bombeiros e os peritos demoraram a chegar no local. Os policiais cogitaram o uso de helicóptero para resgatar os corpos. Dois foram acionados mas não conseguiram pousar por causa do fogo. Depois que os bombeiros conseguiram debelar as chamas, por volta das 18 horas, já estava muito escuro e, por isso, tornou-se perigoso o uso do helicóptero. Os corpos tiveram de ser carregados pela mata e foram levados para o Instituto Médico Legal. Às 18 horas, uma moto e um Palio prata foram roubados numa rua próxima à entrada da favela. O dono da moto, Marcelo Cavalcante Silva, de 31 anos, disse que foi abordado por dois jovens armados de pistola por volta das 17h40. "Não deu nem tempo de ver direito quem era, já estava escurecendo. Pior é que eu trabalho com a moto, não tenho seguro e vou ficar a pé", disse. A PM apreendeu três fuzis, uma escopeta, três pistolas, três granadas, munição de diversos calibres, dois rádios transmissores, dois coletes à prova de bala e cinco veículos. Também houve a apreensão de maconha e cocaína, mas a quantidade ainda não foi especificada.  Segundo a Polícia Militar, a ocupação na favela Minha Deusa continua por tempo indeterminado. À noite, a polícia recebeu a informação de que haveria outros dois corpos na mata, mas até as 20 horas os corpos não haviam sido encontrados. Estatística As polícias Civil e Militar do Rio mataram, oficialmente, 502 pessoas no Estado de janeiro a abril (último dado disponível) em supostos confrontos, 53 (11,8%) a mais do que no mesmo período do ano passado. Na zona oeste da capital, onde fica a Favela Minha Deusa, ocorreram 14,9% (75) dos registros, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP).  Houve aumento de 8 casos (10,6%) na região, na comparação com o período janeiro-abril de 2007.  (Com Agência Estado e Elvis Pereira, do estadao.com.br) Atualizado 20h15

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