Choque entre trens deixa oito mortos e 101 feridos, diz governo

Laudo sobre acidente sai em dez dias, segundo concessionária; havia mais de 400 pessoas em um dos trens

31 Agosto 2007 | 03h18

Um choque entre dois trens da Central do Brasil deixou oito mortos e 101 feridos em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, na tarde de quinta-feira, 30. Anteriormente, a Secretaria de Saúde do Estado do Rio havia informado que o número de feridos era de 111. Um dos trens tinha cerca de 400 passageiros e o outro estava vazio. De acordo com as informações da Supervia, concessionária que administra a via, o trem WP-908 atravessava da linha 1 para a linha 2, quando foi atingido pelo trem de passageiros, prefixo UP-171. O acidente foi considerado o mais grave dos últimos seis anos, segundo a concessionária.  Veja também:Governo encerra resgate no acidente com trens Laudo do choque de trens sai em 10 diasConcessionária já foi multada duas vezesVeja local do acidente Veja outros acidentes no Brasil e no mundo Empresa vai dar informações do acidente por telefone Pouco antes das 20 horas de quinta-feira, o governo informou que o trabalho de resgate estava encerrado. A identidade dos oito mortos, seis homens e duas mulheres, não foi divulgada ainda. As causas do acidente devem ser conhecidas em dez dias, informou o diretor de Operações da Supervia, concessionária que administra a linha, João Gouvêa. Ele ainda desmentiu as primeiras informações de que os maquinistas dos trens haviam morrido na colisão. "Os dois maquinistas não faleceram e serão úteis para esclarecer o que houve. O laudo deve sair em 10 dias. Só então saberemos detalhes como a velocidade das composições", afirmou. O UP-171 partiu às 15h10 da Central do Brasil com destino a Japeri. O acidente ocorreu a cerca de 200 metros da estação de Austin, distrito de Nova Iguaçu, uma das últimas estações da linha. O choque foi tão forte que o último vagão do WP-908 descarrilou. Os dois primeiros vagões do trem de passageiros também saíram dos trilhos. Muitas pessoas ficaram presas às ferragens. O acidente ocorreu próximo a um portão de acesso à linha férrea. Moradores das redondezas, ao ouvirem o estrondo, correram para o local e socorreram as vítimas menos graves. Elas foram levadas de carro para hospitais das redondezas. "Eu estava dormindo, mas de repente escutei aquele estrondo enorme, a poeira levantando e um clima de desespero. Depois que o trem parou muita gente saiu correndo. Quando desci, vi coisas horríveis. Tinham pessoas debaixo do trem, corpos revirados, muito feio mesmo", contou Diana Gonçalves, de 53 anos, passageira do terceiro vagão. O instrutor de equitação Robson de Oliveira, de 44 anos, também estava no mesmo vagão e tentou ajudar os outros passageiros. "Tinha muita gente presa nas ferragens. Eu vi pelo menos um morto. Foi horrível. Tinha muita gente desesperada, com crise nervosa", contou. Bombeiros de 15 quartéis seguiram para o local do acidente. Cerca de 60 bombeiros e 100 homens da Defesa Civil de Nova Iguaçu trabalharam no resgate dos passageiros. Uma equipe da coordenação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) fazia a triagem dos feridos.  Os feridos mais graves foram levados para o Hospital da Posse. Os demais foram divididos pelos hospitais de Saracuruna e Duque, ambos em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e unidades de atendimento pré-hospitalar em Nova Iguaçu. Colaboraram Fabiana Marchezi, Gustavo Miranda e Clarissa Thomé

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