Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Chuva deixa centenas de desabrigados no Estado do Rio de Janeiro

Situação é mais crítica em Maricá, onde moradores estão ilhados e têm usado canoas e cavalos para deixar suas casas

Alfredo Mergulhão, O Estado de S. Paulo

02 de março de 2016 | 11h21

RIO -  A água começou a subir pelos ralos, depois pelos vasos sanitários e em um prazo de 10 minutos subiu um metro e meio de altura, deixando alagadas as casas que ficam no térreo do Condomínio Carlos Marighella, em Maricá, região metropolitana do Rio de Janeiro. Por volta das 23h30 de segunda-feira, o alagamento já tinha atingido todo o conjunto residencial do programa Minha Casa Minha Vida, inaugurado em julho de 2015 com a presença da presidente Dilma Rousseff. O local foi o mais afetado pelas chuvas que caem no Estado desde o começo da semana. Os habitantes estão ilhados e tiveram de ser retirados com a ajuda de canoas.

Nesta quarta, militares da Marinha do Brasil foram acionados e colaboraram no socorro aos 500 desabrigados e 1,5 mil desalojados na cidade. A Prefeitura decretou estado de emergência.

"Eu não pude salvar nada, apenas minha mulher, que é cadeirante. A única coisa que pensei foi em salvar a vida dela", disse o estofador Marcos Antônio Coelho de Almeida, de 52 anos. 

No desespero, ele recorreu ao vizinho que mora no andar de cima e carregou a esposa pela escada. Agora, ela está hospedada na casa da filha do casal, em Maricá. "Não deu para retirar minhas coisas e ficou tudo embaixo d'água: televisão, aparelho de som, fogão, geladeira".

Almeida se recusa a deixar a primeira e única casa própria que teve na vida, onde mora desde agosto do ano passado. Ele teme que tenha seus pertences roubados. Os moradores reclamam da ação de ladrões que teriam saqueado residências nas quais os donos tiveram que procurar abrigo em outro lugar. "Agora é esperar a água baixar, jogar fora o que não presta mais e recomeçar de novo", afirmou.

A doméstica Simone dos Santos, de 29 anos, estava sozinha em casa quando a água invadiu seu apartamento. Ela conseguiu levar geladeira e fogão para a casa do vizinho, no andar superior. "Ele fez o que pôde para ajudar, mas ele também tinha os móveis, não cabia mais nada. Perdi fogão, cama, roupas, documentos". Para salvar a motocicleta, Simone subiu com o veículo pela escada do prédio, um imóvel de dois andares com escada externa.

A Prefeitura criou seis abrigos e pontos de coleta de doações, onde são recebidos alimentos não perecíveis, leite, material de limpeza, roupas, colchões e móveis. O prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT), acusou o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) de ser responsável pela enchente no município, porque, segundo ele, não permitiu a limpeza de canais por onde a água da chuva poderia escoar. Em entrevista ao site “Lei Seca Maricá”, ele criticou o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), de quem seu partido é aliado.

O prefeito, que é presidente estadual do PT fluminense, diz ter documentos que provam as proibições impostas pelo Inea. Em nota, o órgão vinculado à Secretaria Estadual do Ambiente, afirmou que, a pedido da Prefeitura de Maricá, realizou vistorias nos dias 22, 23 e 24 de janeiro na Lagoa da Barra, e o nível estava em 40 centímetros.

 

As chuvas também provocaram estragos em Cachoeiras de Macacu, município distante 72 quilômetros de Maricá. O Rio Soarinho transbordou, suas águas invadiram casas nas localidades da Ribeira, Veneza e Expansão B e provocaram quedas de encostas nas margens da rodovia RJ-116. A Defesa Civil de Cachoeiras de Macacu ainda não fechou o balanço oficial de desabrigados porque continua em trabalho de resgate. 

O município de Cachoeiras de Macacu está em estado de alerta. De acordo com a assessoria de comunicação da prefeitura, "muitas famílias estão desabrigadas e precisando de donativos, pois ficaram apenas com a roupa do corpo". A administração municipal pediu ajuda ao Ministério da Integração Nacional na terça-feira.

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