Chuvas no Rio deixam mais de mil famílias desabrigadas ou desalojadas

O município que mais sofreu com as enchentes foi Paraíba do Sul, onde a prefeitura decretou estado de calamidade pública

Alfredo Mergulhão, O Estado de S. Paulo

19 de janeiro de 2016 | 19h09

RIO - As chuvas que caem no Rio de Janeiro desde o último fim de semana deixaram pelo menos 1042 famílias desalojadas (temporariamente impedidas de voltar para suas casas) ou desabrigadas (que perderam suas residências). O município que mais sofreu com as enchentes foi Paraíba do Sul, onde a prefeitura decretou estado de calamidade pública por quatro dias. Outros sete municípios estão em estado de atenção.

Apenas em Paraíba do Sul, na divisa com o sul de Minas Gerais, existem 850 famílias desalojadas. Elas foram obrigadas a abandonar temporariamente suas casas em função de uma interdição preventiva  e estão nas residências de parentes e amigos. Há ainda 112 famílias desabrigadas. Estas tiveram de ser abrigadas em uma escola municipal. A Prefeitura isentou de IPTU os imóveis destruídos, cancelou o carnaval e iniciou uma campanha para arrecadação de comida, roupas, água e agasalhos.

Em Volta Redonda, na região sul fluminense, casas destelhadas e deslizamentos de terra deixaram 18 famílias desalojadas desde o último fim de semana. Mas elas retornaram nesta terça-feira, de acordo com a prefeitura. Neste período, os moradores afetados pela chuva foram abrigados em casas de parentes e amigos. Nesta segunda-feira, 18, o Rio Paraíba do Sul estava com 3,8 metros acima do nível normal nesta época do ano.

A abertura das comportas da Usina do Funil fez o nível do Rio Paraíba do Sul subir e deixou a situação de Resende, no sul fluminense, ainda mais delicada. Não há famílias desabrigadas no município, mas o estado é de atenção.

"Com o nível do rio desse jeito, o risco de alagamento é real. Uma chuva de meia hora vai alagar as ruas e há o risco de a água voltar pelo ralo das casas", disse o coordenador de Defesa Civil de Resende, Atanagildo Oliveira.

Às 9h desta terça-feira, o nível do Rio Paraíba do Sul era de 4,30 metros. O normal nesta época do ano é 2,50 metros. As comportas foram abertas quando a represa atingiu o limite de segurança de 80% da sua capacidade. No dia 15 de janeiro, a água represada ocupava 58% da capacidade.

No último fim de semana, foram registrados 35 deslizamentos de terra, 30 alagamentos em oito bairros, cinco quedas de árvores e três interdições de residências em Barra Mansa, no sul fluminense. De acordo com a Defesa Civil, na primeira quinzena de janeiro choveu 302 milímetros, o equivalente a três meses de chuva. A situação dos ribeirinhos que vivem nas margens dos rios Barra Mansa e Bananal é mais grave. A Vigilância em Saúde Ambiental do município começou a distribuição de cloro para a desinfecção de pisos e paredes das casas.

A Região Serrana do Rio, que sofreu com enchentes e deslizamentos em 2011, volta a ficar em estado de alerta. Em Nova Friburgo, seis famílias estão desabrigadas.

"Nós interditamos mais duas casas nesta manhã. Elas ficam em uma rua que ameaça ceder", disse o subsecretário de Defesa Civil do município, Róbson Teixeira. Os desabrigados estão em um abrigo da Prefeitura. "A área de assistência social vai providenciar o aluguel social e outras ações, enquanto a moradia deles continuar sob risco", completou. A Defesa Civil registrou 52 ocorrências de sábado até segunda-feira em Nova Friburgo.

Em Petrópolis, a Secretaria de Proteção e Defesa Civil registrou 515 ocorrências de deslizamentos, alagamentos e inundações desde a última sexta-feira, 15. Ao todo, 56 imóveis foram interditados porque representam risco para os moradores. Não houve vítimas ou feridos. Também houve deslizamentos em Teresópolis, na Região Serrana.

 

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