Fábio Motta / Estadão
Fábio Motta / Estadão

Ciclovia destruída no Rio deveria ser 12 vezes mais resistente, aponta estudo

Análise apresentou necessidade de reforço caso trecho venha a ser reconstruído; indenizações serão pagas pelo município

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

20 Maio 2016 | 18h16

RIO - Estudos técnicos encomendados pela prefeitura do Rio depois do acidente na ciclovia Tim Maia, entre Leblon e São Conrado, na zona sul, apontam que o trecho destruído ao ser atingido por fortes ondas deveria ter resistência 12 vezes maior. A área da ciclovia conhecida como Gruta da Imprensa tinha estrutura de 0,55 toneladas por metro quadrado, segundo estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH).  

Se for reconstruído, como anunciou o prefeito Eduardo Paes (PMDB), o trecho terá de ter 6,6 toneladas por metro quadrado. A pressão exercida sobre a ciclovia na hora do acidente era de 3 toneladas por metro quadrado, ou seja, 5,4 vezes maior do que a ciclovia poderia suportar. O acidente aconteceu no dia 21 de abril e matou duas pessoas. 

Estudos das ondas nos últimos cem anos na região apontam que a maior onda no período, chamada “centenária” teve pressão equivalente a  4,4 toneladas por metro quadrado. Para refazer o trecho, o engenheiro Domenico Accetta disse que é necessário aplicar um fator de segurança de 1,5, o que explica a recomendação de 6,6 toneladas por metro quadrado para o trecho a ser reconstruído.

O INPH também sugere a utilização de um sistema de alerta que interrompa o funcionamento da ciclovia quando a intensidade das ondas se intensificar. 

Pesquisadores da Coordenadoria de Programa de Pós Graduação da UFRJ (Coppe) e do INPH participaram nesta sexta-feira, 20, ao lado do prefeito, de uma apresentação das primeiras conclusões dos estudos.  Os técnicos da Coppe disseram que voltarão ao local do acidente para novas análises antes de apresentar o relatório final.

Paes disse não ter dúvida de que houve falha no projeto da ciclovia, mas lembrou que os culpados pelo acidente serão apontados por uma investigação policial. “Houve um problema de projeto, mas caberá à polícia (apontar) a responsabilidade específica”, afirmou.

Quando concluídos, os estudos técnicos da Coppe e do INPH serão encaminhados aos policiais e peritos que trabalham no caso, segundo o prefeito. A obras de reconstrução da ciclovia, informou o prefeito, serão feitas  pelo mesmo consórcio construtor, Contemat-Concrejato, sem custos adicionais para a prefeitura.  

Reconstrução. Paes reiterou a intenção de reconstruir a ciclovia, mas não deu uma estimativa da data em que as obras podem ter início, muito menos quando poderão ser concluídas. “Eu já sabia há algum tempo que a ciclovia pode ser recuperada e agora vemos que a solução estrutural pode ser mais simples do que se imaginava, que provavelmente não será necessário alterar o trajeto”, afirmou.

O prefeito disse torcer para que a ciclovia seja reaberta até a Olimpíada, mas reconheceu que seria o “otimismo dos otimismos”. “Não é a Olimpíada que vai nortear o início e a duração das obras”. 

Segundo Paes, a prefeitura está em fase final de negociação com a família do engenheiro  Eduardo Marinho Albuquerque, para que seja indenizada pelo acidente. No caso da outra vítima, o gari comunitário Ronaldo Severino da Silva, a prefeitura aguarda a manifestação da viúva, por meio da Defensoria Pública.

Inicialmente, as indenizações serão pagas pela prefeitura, mas, se for comprovada a responsabilidade das empresas construtoras, o município cobrará do consórcio.

“A empresa terá que responder por seus atos, se for responsável (pelo acidente), como acredito que seja. A prefeitura vai pagar as indenizações e, se a responsabilidade (do consórcio) se consolidar, vamos cobrar da empresa. As indenizações não resolvem a dor das famílias, mas queremos evitar que elas tenham que brigar na justiça por uma reparação que é justa”, afirmou Paes.  

O prefeito anunciou que o elevado do Joá, obra da prefeitura na mesma região do acidente, será inaugurado no prazo de 15 dias, mas que a ciclovia da Praia do Pepino ainda não entrará em funcionamento. Técnicos da prefeitura farão novos testes de segurança antes da inauguração da ciclovia.

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