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Cinco pessoas estão desaparecidas após o naufrágio no Rio

Acidente aconteceu em Angra dos Reis; embarcação transportava turistas de Arantina, em Minas; vice-prefeito está entre os sumidos

Clarissa Thomé e Vinicius Neder, O Estado de S. Paulo

29 Novembro 2015 | 11h31

Atualizado às 17h50

RIO - Cinco pessoas estão desaparecidas desde a noite deste sábado, 28, após o naufrágio de uma traineira com 13 tripulantes a bordo na Baía de Ilha Grande, em Angra dos Reis, litoral sul do Rio de Janeiro. Por volta de 13h30 deste domingo, 29, as buscas pelos desaparecidos foram interrompidas, por causa de alertas de ventos fortes na região. Entre os desaparecidos estão o vice-prefeito de Arantina, em Minas Gerais, José Geraldo da Silva (PP), de 48 anos, três amigos dele e um ajudante de convés da embarcação.

O naufrágio ocorreu nas proximidades da Ilha dos Meros, que fica perto da Praia de Provetá, na Ilha Grande, quase na saída para o mar aberto. Costuma ser de uma região de mar revolto e o mau tempo pode ter contribuído para o acidente, acredita o presidente da Fundação de Turismo de Angra dos Reis, Klauber Valente.

"Já é um lugar em que o mestre da embarcação tem que ter muito cuidado. O barco acabou virando", disse Valente.

A embarcação Minas Gerais foi uma das quatro alugadas por 47 turistas de Arantina, cidade do sudoeste mineiro, que tem 2.800 habitantes e fica a 360 quilômetros de Belo Horizonte.

O grupo costuma viajar regularmente para pescar em alto-mar. Eles saíram às 9 horas de Arantina, de ônibus, com destino a Angra dos Reis. À tarde, embarcaram nas traineiras no Cais do Camorim e navegaram por cerca de três horas até o ponto próximo à Ilha dos Meros. Como não conseguiram pescar nada ali, resolveram mudar de local. Ao fazer a manobra, o barco afundou.

Todos os pescadores estavam com coletes salva-vidas. Oito deles conseguiram nadar até a ilha. Alguns se apoiaram em madeiras que se soltaram do barco. Eles foram resgatados pela embarcação Garamar, de pescadores da Praia de Provetá, e pelas traineiras que faziam parte do grupo de Arantina. A Defesa Civil foi acionada pelo sistema de rádio de uma das embarcações e avisou o Corpo de Bombeiros e a Capitania dos Portos.

Três embarcações da Marinha e uma dos Bombeiros do Rio trabalharam nas buscas pelos cinco desaparecidos na manhã de domingo. Mas no início da tarde os trabalhos foram interrompidos por causa do vento forte. As ondas no local chegaram a dois metros de altura. A viagem entre o Cais do Camorim e o ponto do naufrágio costuma ser de duas horas.

Na tarde deste sábado, as embarcações levaram o dobro desse tempo. De acordo com o sargento Miranda, do Corpo de Bombeiros, a decisão sobre a retomada das buscas caberá à Marinha.

A interrupção das buscas deixou ainda mais apreensivos os moradores de Arantina, que aguardam notícias sobre os desaparecidos. O vice-prefeito José Geraldo foi vereador por três mandatos e presidiu a Câmara dos Vereadores. Ele é casado e tem dois filhos. O prefeito da cidade, Francisco Carlos Ferreira Alves (DEM), foi avisado ainda na madrugada sobre o acidente.

"O clima aqui está horrível. Foi um choque muito grande para todos nós. É uma cidade muito pequena, todos se conhecem. Esse grupo está acostumado a fazer pescaria em Angra, eles vão a cada dois meses. Nunca aconteceu algo assim", afirmou o prefeito. "A família do José Geraldo está apavorada. Ainda temos esperanças que eles consigam ser resgatados."

A Ilha dos Meros é um ponto de mergulho famoso no entorno da Ilha Grande. Também é comum o aluguel de embarcações para a prática de pesca noturna. O sargento Miranda ressaltou que, embora muito procurado, o local é tido como perigoso.

A Marinha informou ainda que um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação, cujo prazo de conclusão é de 90 dias, será instaurado para apurar "as causas, circunstâncias e responsabilidades pelo ocorrido". 

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