Paulo Araujo/Estadão
Paulo Araujo/Estadão

Ciro Nogueira vai levar a Guedes pedido para não vender Capanema, diz governador do Rio

Ministro da Casa Civil teria se comprometido a atender pedido de Cláudio Castro (PL) para que edifício, ícone da arquitetura modernista, não fosse a leilão

Fábio Grellet e Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2021 | 22h52

Um dia após afirmar que o governo federal teria desistido da ideia de vender o Palácio Gustavo Capanema, prédio histórico que sediou o Ministério da Educação e da Saúde no Rio de Janeiro, o governador Cláudio Castro (PL), esteve nesta quinta-feira, 19, com o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, em Brasília. Segundo nota emitida pelo governador, Nogueira vai levar ao Ministério da Economia o pedido da administração estadual para retirar o edifício da lista de prédios públicos que o governo federal pretende vender. A situação, portanto, segue indefinida.

Na quarta-feira, Castro e o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), André Ceciliano (PT), se reuniram com representantes de associações ligadas à cultura, à arquitetura e ao patrimônio histórico para discutir a possibilidade de comprarem o palácio, dividindo os gastos pela metade entre o Estado do Rio e a Alerj. A proposta partiu de Ceciliano, incomodado com o que considerou um descaso do carioca Guedes com um dos edifícios mais importantes da ex-capital federal. Símbolo da arquitetura moderna brasileira, o Capanema já foi sede dos ministérios da Educação e da Saúde.

"A boa notícia é que, segundo interlocutores do governo do Estado com o governo federal, a possibilidade da venda no leilão está suspensa. A informação é de que o ministro Paulo Guedes vai tirar o palácio do leilão", anunciou Ceciliano após sair da reunião de quarta-feira. "É fundamental a defesa do patrimônio do Estado do Rio, em especial na área de Cultura. O governador está em parceria com a Assembleia para buscar uma solução não só para o Capanema, como também para outros imóveis de relevância cultural para o Rio de Janeiro", completou. Na ocasião, Castro disse que acolheu a reivindicação de Ceciliano de adquirir o palácio caso o governo federal insista em vendê-lo.

Procurado na quarta-feira para se pronunciar sobre a possível venda do Palácio Gustavo Capanema, o Ministério da Economia afirmou apenas que "atualmente não há nenhum edital aberto pela SPU (Secretaria de Coordenação e Governança do Patrimônio da União) para alienação de edifício tombado." A pasta citou a lei 14.011/2020 para lembrar que todos os imóveis públicos federais podem receber uma PAI (Proposta de Aquisição de Imóveis) vinda de qualquer cidadão interessado em comprá-los.

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