Co-piloto diz que pane no rotor causou a queda do helicóptero

'Com a pane, aeronave deu um giro de 360º, teve uma forte trepidação e caiu', disse; 4 corpos já foram achados

Marcelo Auler, de O Estado de S. Paulo,

28 de fevereiro de 2008 | 20h44

A queda do helicóptero da empresa BHS, na terça-feira, 26, após deixar a plataforma P-18 da Petrobras, na Bacia de Campos, foi provocada por uma pane no rotor de cauda da aeronave, segundo relatou nesta quinta-feira, 28, o co-piloto, Sérgio Ricardo Muller, a colegas que o visitaram no Hospital da Unimed de Macaé.   Veja também: Encontrado 4º corpo de acidente com helicóptero da Petrobras Sobe para 4 total de mortos em acidente de helicóptero Petrobras confirma morte em acidente com helicóptero   Apesar de a direção do hospital ter informado que nenhum dos sobreviventes havia sofrido fratura, Muller contou ter fraturado uma costela.   Segundo o relato do co-piloto, tão logo levantaram vôo, por volta de 16h15, houve um problema no rotor da cauda - que existe para evitar que a cabine do helicóptero gire no sentido contrário das hélices. Sem o rotor funcionando como deveria, a aeronave deu um giro de 360º, teve uma forte trepidação e caiu.   Segundo pilotos de aeronave, a pane no rotor traseiro é sempre incontrolável quando acontece na decolagem porque a aeronave ainda está sem potência para subir. Quando ela ocorre em pleno vôo, há mais chances de um pouso controlado.   A queda da aeronave da BHS, segundo analisam outros pilotos, foi atenuada pela perícia do piloto Paulo Roberto Calmon, que conseguiu acionar os flutuantes, diminuindo um pouco o impacto com a água. Ainda assim, segundo depoimentos de outros sobreviventes, o helicóptero se partiu ao chocar-se com o mar.   Recuperação dos destroços   A Petrobras informou ao delegado Daniel Bandeira de Mello, da Delegacia de Macaé, que a aeronave se dividiu em três partes que estão a uma profundidade de 800 metros.   A empresa começou nesta quinta-feira, 28, a tentar içar os pedaços do helicóptero com o uso de veículos movidos a controle remoto, os robôs que funcionam no fundo do mar com braços mecânicos acionados da plataforma. Segundo o delegado, na sexta-feira, 29, a estatal espera concluir o trabalho. Mello já solicitou peritos para analisarem o que sobrou da aeronave.   Ele pretende começar a ouvir os tripulantes e demais sobreviventes na próxima terça-feira, no inquérito instaurado para apurar as causas do acidente que provocou pelo menos quatro mortes. Há ainda um desaparecido.   Corpos encontrados   Ainda nesta quinta-feira, 28, os robôs da Petrobras localizaram o terceiro corpo que estava desaparecido. Ele pode pertencer ao piloto Calmon ou ao empregado da De Nadai Serviços de Alimentação, Guaraci Novaes Soares.   Os restos mortais foram encontrados a 300 metros do que sobrou da aeronave em péssimo estado, pois já estavam sendo devorados por peixes. A identificação do corpo deverá ser feita por meio das arcadas dentárias.   Mais tarde, equipes de resgate que trabalham nos arredores do local do acidente encontraram o corpo da quarta vítima do acidente, informou a estatal em comunicado. Os trabalhos de busca continuam na tentativa de encontrar a última pessoa desaparecida.   A empresa disse ainda que os corpos de duas vítimas foram identificados - Durval Barros da Silva, da empresa De Nadai, e Adinoelson Simas Gomes, empregado da Petrobras.   No Hospital da Unimed, na tarde desta quinta-feira, 28, três dos sobreviventes receberam alta hospitalar: a comissária de bordo da BHS Daniele Madureira Neto, o empregado da Petrobrás Marcelo Pereiras Maceira e o empregado da Techint, Jailson Moraes Bastos. Daniele e Marcelo não quiseram dar entrevista.   Em poucas palavras, Jailson disse que o helicóptero caiu pouco depois de subir "muito pouco". Explicou que a aeronave quebrou e não viu ninguém com dificuldades de abandoná-la. Ainda assim, dois corpos foram encontrados na parte traseira da cabine de passageiros. Para ele, o piloto "ajudou muito, pois diminuiu bastante a queda."

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