Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Coleção de invertebrados do Museu Nacional se salva das chamas

Acervo ficava em um prédio anexo, que não foi afetado pelo incêndio; segundo vice-diretora, alguns pesquisadores conseguiram sair do prédio com seus acervos pessoais

Agência Brasil e Roberta Jansen, O Estado de S. Paulo

03 Setembro 2018 | 10h04
Atualizado 03 Setembro 2018 | 12h27

RIO - A vice-diretora do Museu Nacional do Rio de Janeiro, Cristina Serejo, afirmou que uma coleção de invertebrados não foi atingida pelo incêndio que atingiu o prédio na noite deste domingo, 3.

“Nem tudo foi perdido do acervo”. A coleção ficava em um prédio anexo, que não foi afetado pelas chamas. O museu tem três andares e prédios anexos, localizados na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, na zona norte da capital.

Segundo Cristina Serejo, alguns pesquisadores conseguiram sair do prédio com seus acervos pessoais. Outros funcionários tiveram condições de retirar computadores pessoais.

O Museu Nacional do Rio reunia um acervo de mais de 20 milhões de itens de geologia, paleontologia, botânica, zoologia e arqueologia. No local, estava a maior coleção de múmias egípcias das Américas, havia ainda esqueletos de dinossauros e várias peças de arte.

É a mais antiga instituição histórica do País - o local foi fundado por dom João VI, em 1818. O museu é vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com perfil acadêmico e científico. Tem nota elevada nos institutos por reunir pesquisas diferenciadas, como esqueletos de animais pré-históricos e livros raros.

Meteorito

O maior meteorito já encontrado no Brasil, o Bendegó, com 5,36 toneladas, sobreviveu ao incêndio que destruiu o museu, conforme confirmou agora há pouco o diretor da instituição, Alex Kellner.  A rocha é oriunda de uma região do Sistema Solar entre os planetas Marte e Júpiter e tem cerca de 4,56 bilhões de anos.

O meteorito foi achado em 1784, em Monte Santo, no Sertão da Bahia. Na época do achado era o segundo maior do mundo. Atualmente, ocupa a 16ª posição.  A pedra espacial integra a coleção do Museu Nacional desde 1888.

Incêndio

O comandante do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, coronel Roberto Robadey Costa Júnior, disse que pelo menos duas áreas não foram atingidas pelo fogo. Segundo ele, por duas horas, os bombeiros e funcionários do museu retiraram uma parte do acervo.

 “Mas é muito triste dizer que muita coisa se perdeu”, disse o comandante. “Estamos trabalhando para evitar mais perdas, para que o fogo não vá para áreas que ainda estão intactas.

O incêndio começou por volta das 19h30. Agentes e viaturas de 21 quartéis trabalharam na operação. Segundo o comandante, às 23h30 eram 80 homens e três escadas magirus na área. As dificuldades eram o abastecimento de água, acesso ao local e a elevada quantidade de material inflamável.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.