Mariana Sallowicz/Estadão
Mariana Sallowicz/Estadão

Com ciclovia interditada, ciclistas e pedestres se arriscam na Avenida Niemeyer, no Rio

Pessoas passam por trechos estreitos, junto de veículos de alta velocidade; acidente no local deixou dois mortos na quinta-feira

Mariana Sallowicz, O Estado de S. Paulo

24 Abril 2016 | 13h01
Atualizado 24 Abril 2016 | 16h55

A interdição de parte da ciclovia Tim Maia, na Avenida Niemeyer, na zona sul do Rio, não conteve ciclistas e pedestres, que na manhã deste domingo, 24, se arriscavam pela pista de carro nos trechos onde não podiam passar por causa do bloqueio, alguns por curiosidade. A reportagem do Estado flagrou diversas pessoas caminhando ou andando de bicicleta em trechos estreitos, onde carros e ônibus passam em alta velocidade. 

Um trecho da ciclovia caiu em meio a uma ressaca do mar na última quinta-feira (21) e deixou ao menos dois mortos. Bombeiros estão no local desde as 6h de hoje para monitorar o local do acidente, mas as buscas por novas vítimas foram encerradas no sábado, 23.

Parte da ciclovia está interditada, mas quem inicia o percurso pelo Leblon consegue caminhar até a região do Vidigal, onde há um primeiro bloqueio. Apesar disso, há quem passe pelo local e siga a caminhada. Já quem tenta entrar por São Conrado, não consegue passar. Além do bloqueio, há policiais monitorando a passagem.

Apesar da barreira, o empresário Olimpio Freire, 52, manteve o percurso que faz todos os domingos de bicicleta. Ele percorre com amigos um trecho que vai do Flamengo, também na zona sul, a São Conrado. Ao se deparar com o bloqueio da ciclovia, decidiu seguir pela pista de carros.  "Já usava a pista antes de ficar pronta a ciclovia. Sei que é perigoso, mas não há outra opção. E no domingo há menos carros".

O comerciante Heraldo Alves, 40, também passava de bicicleta pela pista de carro no local da interdição. "Fui pela curiosidade, para ver como ficou. Muitos carros não respeitam os ciclistas, é arriscado mesmo", contou. Alves diz que costumava utilizar a ciclovia frequentemente e que, após a liberação, continuará a usando. "Acidentes acontecem. Apesar de o projeto ser mal feito, acho que vão consertar direito", diz o morador do centro.

O empresário italiano Eduardo Pozzi,28, e sua namorada, a professora Patricia Passos, 36, chegaram de São Paulo, onde moram, na última sexta-feira. O plano era percorrer de bicicleta a cidade, um programa frequente do casal. A ciclovia Tim Maia estava no roteiro e, apesar do desabamento, eles decidiram manter a programação. No entanto, quando chegaram ao bloqueio em frente ao Vidigal, decidiram voltar. "O trecho foi mal feito, mas não é toda a ciclovia que está condenada", afirmou Pozzi. Ele disse se sentir seguro em andar pela ciclovia na parte que não foi prejudicada.

O empresário Eduardo Antunes, 66, morador de Ipanema, também não se arriscou pela pista ao chegar ao bloqueio, mas reclamou de não haver um aviso no começo da ciclovia, próximo ao Leblon, de que não haveria como passar a partir de um determinado ponto ou uma opção de passagem. "Tinha que ter alguma opção, achei que uma das pistas de carro da Avenida Niemeyer estaria bloqueada para veículos. Agora não dar nenhuma opção para passar quem já caminhou por uma boa parte da ciclovia é absurdo".

Há, porém, quem ignore a barreira de interdição da pista da ciclovia e pule o bloqueio para continuar a caminhada pela Tim Maia. Um homem foi visto pela reportagem furando o bloqueio. Um outro caso foi de um homem que caminhava em cima da mureta da pista, ao lado da ciclovia. 

Município. Procurada pelo Estado, a Prefeitura informou por nota ter colocado, além das barreiras físicas, guardas municipais em diversos pontos da Avenida Niemeyer para orientar e, se necessário, tirar da ciclovia quem passar pelos pontos de bloqueio. A medida é para garantir a segurança de ciclistas e pedestres. Segundo a administração municipal, a Guarda Municipal vai reforçar essa orientação aos seus agentes que estão no local. O texto afirmou que a circulação pela Avenida Niemeyer não é proibida, exceto no trecho onde a ciclovia está liberada, o que , explicou, é previsto nas normas de circulação contidas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

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