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Com falta de chuvas, cachoeiras viram filetes d’água no Rio

Não chove forte no Estado desde outubro; estiagem favorece os incêndios e a perda de biodiversidade e qualidade do solo

Roberta Pennafort , O Estado de S. Paulo

13 de novembro de 2014 | 03h00

RIO - O estudante Alexandre Oliveira, de 23 anos, frequenta desde a infância a ducha de água natural da Floresta da Tijuca, perto do Corcovado, na zona sul do Rio. Com a falta de chuvas, ele não reconhece o lugar. “Esse ‘chuveiro’ tinha quatro vezes mais água. Era tão forte que massageava o corpo. Nunca vi isso assim”, contou o rapaz, nesta quarta-feira, 12, sob o filete d’água que caía sobre a calçada - em condições normais, a pressão é tamanha que molha até o meio da pista de carros. 

Não chove forte no Rio desde o começo de outubro. A seca é uma preocupação não só no Parque Nacional da Tijuca, mas também nos parques estaduais do Grajaú, Pedra Branca e Mendanha. A falta de chuva favorece os incêndios e a perda de biodiversidade e qualidade do solo, além de dificultar a captação de água por agricultores e famílias. Gestores estão sob tensão. 


No Parque Nacional da Tijuca, o mais visitado do Brasil, as cachoeiras, grandes atrações turísticas, estão quase secas. A famosa Cascatinha, logo na entrada da sede, no Alto da Boa Vista, está irreconhecível. “A chuva tem sido tão fraca que não é suficiente para recuperar o ambiente”, disse o coordenador de proteção do parque, Leonard Schumm. 

Na Pedra Branca, a situação é “muito triste e delicada”, alerta Guido Gelli, diretor de áreas de biodiversidade e áreas protegidas do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). “A seca afeta a irrigação do subsolo, a fauna e a flora dependente dos rios, que se tornaram filetes. O parque está seco. Qualquer fagulha acaba em combustão. Imagine balões ou fogos de artifício. A vegetação mais arbustiva é a que mais sofre”, afirma. 

No Grajaú, a secura se evidencia na cor da vegetação, que perdeu o verde viçoso. No Mendanha, área de lazer de moradores da Baixada Fluminense e da zona oeste, cursos secundários dos rios estão completamente secos, contou o chefe do parque, Carlos Dário Moreira. “Os agricultores relatam dificuldades. Há 30 dias, vimos vários focos de incêndio no lado mais perto da Baixada. São criminosos, gente que quer área para pasto.”

Bloqueios. Meteorologista da Climatempo, Daniele Lima lembra que a seca no Rio, e no Sudeste de uma forma geral, se deve à sucessão atípica de períodos sem precipitações, provocados, em parte, por dois bloqueios atmosféricos nos Oceanos Atlântico e Pacífico. “O verão foi muito quente e seco, quando deveria ter sido chuvoso.” Para os próximos dias, ela prevê chuva “de moderada a forte”, mas não se sabe se será suficiente para reverter a situação nos parques e rios.

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