Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Grande Rio acerta na aposta: Ivete é a sensação da Sapucaí

Cantora baiana conclamou o público a vibrar na Marquês de Sapucaí; arquibancadas reagiram e embalaram festa da escola

Roberta Pennafort, Fabio Grellet e Mariana Sallowicz, O Estado de S.Paulo

27 Fevereiro 2017 | 01h35
Atualizado 27 Fevereiro 2017 | 02h05

RIO - A Grande Rio tirou a sorte grande e acertou na aposta: Ivete Sangalo, sua homenageada neste carnaval, foi a sensação do primeiro dia de desfiles do Grupo Especial do Rio. Como em sua anual maratona carnavalesca em Salvador, a cantora baiana teve de correr para desfilar em dois pontos diferentes da escola. Saiu com bailarinos na comissão de frente, que representava de sua infância, na cidade Juazeiro, à glória, como uma das cantoras mais populares do País, e também no último carro alegórico, um símbolo do encontro dela com a Grande Rio. A noite começou com um incidente grave e raro na Sapucaí: o último carro alegórico do Paraíso do Tuiuti entrou torto na avenida e imprensou pessoas que estavam na pista contra a grade do setor 1. Pelo menos 8 ficaram feridas.

"Foi muita emoção, uma oportunidade única”, disse Ivete, ao fim do desfile. “Fui cercada de amor desde o momento em que fui convidada para fazer parte desta escola, e quis sair na comissão para me envolver. A gente ensaiou com muito amor. Eu quis aproveitar e saborear tudo o que podia. Amanhã tenho cinco horas de trio em Salvador.” Quando a comissão chegou à dispersão, Ivete entrou rapidamente num automóvel, para dar a volta do sambódromo e ressurgir na alegoria final com o marido, Daniel Cady, e o filho, Marcelo, de 7 anos. Ela teve de trocar de figurino dentro do automóvel.

A escola acreditava que bastaria a presença da cantora para que a Sapucaí fosse conquistada, e a resposta foi imediata. Com carisma sem par, Ivete, que se dedicou à Grande Rio no limite de sua agenda atribulada nos últimos meses, sempre mencionando o tributo e cantando em shows pelo País o samba da agremiação, foi ovacionada no setor 1, o primeiro e mais popular da Sapucaí, e seguiu “levantando poeira” pelo sambódromo.

Baseado na premissa de que a Ivete dos palcos, dos trios elétricos e dos programas de TV todo o Brasil já conhece, o carnavalesco Fabio Ricardo, um fã, procurou explorar em suas alegorias e fantasias a trajetória de vida da intérprete, mais do que seu percurso artístico. A cidade natal da cantora, Juazeiro, foi retratada em suas características sertanejas; a religiosidade da menina apareceu nas romarias típicas do Nordeste; o Rio São Francisco, em suas lendas e mistérios e na figura de pescadores; a veia festiva, nas comemorações juninas de São João. A apresentadora Xuxa, amiga de Ivete, era destaque do carro que representava a axé music, e foi muito aplaudida. Com fantasias luxuosas e alegorias muito bem acabadas, a escola atravessou a avenida sem correria e se credenciou a pelo menos voltar para o desfile das campeãs.

O acidente com o último carro alegórico do Tuiuti, que abriu o domingo de desfiles, impactou a apresentação da Grande Rio, que atrasou 45 minutos. Ao saudar o público, o presidente da escola, Milton Perácio, lamentou o episódio.

O Paraíso do Tuiuti ascendeu ao Grupo Especial esse ano e pode ser prejudicado por conta do acidente com o carro alegórico. Testemunhas contaram que a manobra equivocada se deu porque a escola estava atrasada para cumprir seus 75 minutos de desfile, o que fez com que a entrada na pista fosse afobada e o motorista acelerasse demais. Os feridos foram levados para o Hospital Souza Aguiar, perto do sambódromo.

O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Jorge Castanheira, disse que ​um acidente dessa gravidade é inédito na Sapucaí. O carnavalesco ​Jaime Cezário, que é da do Porto da Pedra, escola da série A, e assistia ao Tuiti da pista, foi um dos feridos. Ele contou que o motorista entrou errado na avenida e, na pressa, imprensou quem estava no setor 1. Na tentativa de consertar o erro e evitar perda de pontos por estouro no tempo, ele jogou o carro para o outro lado, e aí feriu também quem estava neste ponto - caso de Cezário. 

"O desfile estava atrasado, já tinha aberto um espaço. Eles estavam preocupados para que o carro entrasse logo. Na pressa, o motorista acabou jogando o carro para o outro lado. No lado ímpar, as pessoas ficaram mais graves. Por ser alto,eu consegui escapar um pouco", relatou o carnavalesco, que ficou com um corte na perna esquerda de 10 centímetros e foi atendido no posto médico​ do sambódromo

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