Com mais dois casos, chega a seis número de vítimas de bala perdida no Rio de Janeiro

Duas crianças morreram, três adultos estão internados e outra criança já se recuperou; os casos aconteceram desde sábado

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

23 Janeiro 2015 | 19h38

RIO - Mais duas pessoas foram atingidas por balas perdidas, no Rio, entre a noite de anteontem e a tarde de ontem. Com esses casos, já são seis as vítimas desse tipo de episódio no Rio de Janeiro desde sábado passado. Duas crianças morreram, três adultos estão internados e outra criança já se recuperou.

O episódio mais recente ocorreu ontem à tarde, quando Edson Jesus dos Santos, de 20 anos, foi atingido no cotovelo e na perna quando estava no Parque Madureira, no bairro homônimo da zona norte. Ele acompanhava da plateia a etapa brasileira do Circuito Mundial de Skate Bowl, tipo de prova de skate realizado numa pista em formato de bacia.

O rapaz foi socorrido ao Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes (zona oeste), e até a conclusão desta edição não havia detalhes sobre seu estado de saúde.

Menos de 24 horas antes, na noite de quinta-feira, uma menina de 3 anos foi atingida por um tiro na perna. Segundo a polícia, Lavínia Crissiullo brincava na calçada em frente à sua casa, na rua Lauro de Araújo, na Cidade Nova, bairro do centro do Rio, quando foi atingida.

Com a bala alojada na perna, ela foi levada à unidade de saúde mais próxima, o Hospital Central da Polícia Militar. Ontem a menina foi liberada. A bala continua alojada em sua perna, mas os médicos avaliaram que ela só deverá ser submetida a cirurgia para retirar o projétil quando tiver mais idade.

A Polícia Civil informou que dois policiais militares do Batalhão de Choque receberam uma denúncia de que um ponto de venda de drogas funcionava na Cidade Nova. Quando chegaram ao lugar indicado, foram recebidos a tiros e revidaram. Moradores do bairro, no entanto, acusam os policiais de chegarem atirando. Um grupo de vizinhos da menina promoveu um protesto após a menina ser atingida.

As armas dos PMs foram recolhidas para perícia. Por enquanto não se sabe de onde partiu o tiro.

A sequência de casos de bala perdida começou na tarde do último sábado, quando Larissa de Carvalho, de 4 anos, foi atingida na cabeça. Ela saía de um restaurante em Bangu, na zona oeste, e estava acompanhada pela mãe e pelo padrasto. Larissa foi socorrida no Hospital Pedro II e teve morte cerebral confirmada na manhã de domingo.

No mesmo sábado, horas depois, também em Bangu, Carlos Eduardo Rodrigues de Paula, de 33 anos, foi baleado enquanto seguia para uma lanchonete. Ele está internado no Hospital Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo, município da Região Metropolitana.

No domingo, o estudante Asafe Willian Costa de Ibrahim, de 9 anos, foi atingido na cabeça por uma bala perdida. Ele estava na área de lazer de uma unidade do Sesi em Honório Gurgel, na zona norte. Depois de nadar, acompanhado pela mãe, ele saiu para beber água em um bebedouro perto da piscina. Nesse momento ouviu-se um tiroteio na vizinhança, provavelmente causado por traficantes de quadrilhas rivais, e o menino foi atingido. Ele caiu e foi levado ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha (mesma região). Dali foi transferido ao Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias (Baixada Fluminense), mas quarta-feira sofreu morte cerebral.

Anteontem de manhã, William Robaiana da Silva, de 35 anos, foi baleado quando esperava um ônibus na Avenida Cesário de Melo, perto da estação Cesarão do BRT, na zona oeste. Ele buscou atendimento sozinho, embarcando em uma van, mesmo ferido. Foi internado com uma perfuração no fígado, submetido a cirurgia, e até ontem estava em estado grave.

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