Com voos lotados, turistas têm dificuldade para deixar Brasil

Companhias aéreas aumentaram a oferta de assentos, mas bilhetes já estão reservados por passageiros mais precavidos

Thaise Constancio, O Estado de S. Paulo

04 de julho de 2014 | 19h14

RIO - O torcedor estrangeiro que deixou para comprar as passagens de volta para casa em cima da hora poderá ter dificuldades para deixar o Brasil. Isso porque as companhias aéreas até aumentaram a oferta de assentos nos voos internacionais, mas as vagas já estão pagas ou reservadas por passageiros mais precavidos.

Em geral, quem optou por ficar no País por mais tempo, achando que haveria passagens de sobra, é incluído na fila de espera da companhia aérea, à espera de desistências.

Era o caso do colombiano Carlos Julio Mora, de 52 anos, que, na última semana, tentava voltar para a terra natal depois de 15 dias no Brasil. Ele disse que gastou R$ 3 mil em transporte aéreo no País para acompanhar a seleção (além de cerca de US$ 1 mil com a passagem aérea para o Brasil), mas optou por não comprar a passagem de volta por não saber quando seria. "E agora não consigo voltar para a Colômbia", afirmou completando que estava na lista de espera da Avianca.

Para atender à demanda, American Airlines, Avianca e TAM aumentaram a capacidade de transporte nos voos internacionais. A Gol apenas "identificou" ampliação da demanda de passagens na Argentina, Uruguai e Paraguai para o Brasil. No entanto, a empresa não confirmou se disponibilizou mais lugares.

Na American Airlines, os voos de volta para os Estados Unidos estão lotados até 15 de julho, dois dias após a final do Mundial. No entanto, a procura por passagens para o Brasil também aumentou. "Em grandes eventos como a Copa, há várias mudanças (nas operações aéreas) ao longo dos dias, influenciadas pela eliminação das seleções. Identificamos pessoas que estão chegando agora porque compraram ingressos para as fases finais", explicou o diretor de Vendas da American Airlines para o Brasil, Dilson Verçosa Junior.

Aqui, a companhia opera em nove das 12 cidades-sede, com 131 frequências semanais para os Estados Unidos. Durante a Copa há voos diários chegando ao Rio e no Recife. Pela análise da empresa, as chegadas em São Paulo, Belo Horizonte e no Rio, que ainda receberão jogos das semifinais e final (além de Brasília), estão esgotadas. "Ainda teremos voos lotados por um bom tempo para que as pessoas voltem para os Estados Unidos". 

A Avianca trocou as aeronaves e ampliou em 110%, de 120 para 252 passageiros, a capacidade de transporte por voos durante o Mundial. Todos os voos internacionais que partem do Brasil estão lotados. "Para a Copa, solicitamos 36 voos vindos de diversos países da América Latina e do Caribe para o Brasil para atender a demanda de passageiros", completou o diretor da Área Internacional da Avianca no Brasil, Ian Gillespie. Pelos cálculos da companhia, entre 1º de junho e 31 de julho, serão disponibilizados 130 mil assentos em voos para as cidades-sede.

A TAM não comentou o porcentual de ocupação dos voos. A companhia informou apenas que solicitou 350 novos voos internacionais e 750 nacionais para a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) até o fim de julho. A Gol ressaltou que "aconselha que seus passageiros tentem comprar as passagens com antecedência".

Anac. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprovou uma malha especial que vigora desde 6 de junho até 20 de julho para atender a demanda da Copa do Mundo. Neste período, serão aproximadamente 136 mil voos e 18 milhões de assentos, volume 3,8% maior que a malha aérea habitual.

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