JOSE LUCENA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS
JOSE LUCENA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS

Comandante de batalhão é exonerado depois de execução

Tenente-coronel Marcos Netto deixa o 41º BPM; 4 PMs foram presos em flagrante após fuzilamento de 5 jovens em carro

Clarissa Thomé e Mariana Durão, O Estado de S. Paulo

30 Novembro 2015 | 13h14

RIO - O comandante do 41º Batalhão de Polícia Militar (BPM), em Irajá, na zona norte do Rio de Janeiro, tenente-coronel Marcos Netto, foi exonerado do cargo pelo Comando da Polícia Militar, nesta segunda-feira, 30. Em nota, a PM informou que ele deixa o posto "em razão dos últimos lamentáveis acontecimentos envolvendo policiais sob o seu comando que conflitam com as orientações do comando da corporação".

Na noite de sábado, 28, quatro policiais militares foram presos pela morte de cinco jovens, que ocupavam um Palio branco em um dos acessos ao Morro da Lagartixa, em Costa Barros, na zona norte. O veículo foi alvejado mais de 50 vezes. Os rapazes haviam saído para comemorar o primeiro salário recebido por um deles, Roberto de Souza Penha, de 16 anos.

O tenente-coronel Jorge Fernando de Oliveira Pimenta, que está à frente do 32º Batalhão da PM (Macaé), assumirá o comando do 41º BPM.

Os policiais militares Thiago Resende Viana Barbosa, Marcio Darcy Alves dos Santos, Antonio Carlos Gonçalves Filho (por homicídio doloso e fraude processual) e Fabio Pizza Oliveira da Silva (apenas por fraude processual)  foram presos logo depois do crime e levados para o Batalhão Especial Prisional (BEP), em Niterói, na região metropolitana, na tarde de domingo, 29.

Pela manhã, Marcos Netto deu entrevista ao Bom Dia Rio, da Rede Globo, e criticou a conduta dos PMs.

"Nós determinamos aos policiais que efetuem disparos somente quando forem agredidos, e de forma proporcional. O que vimos preliminarmente é que houve uma reação desproporcional. Nós lamentamos profundamente o que aconteceu", afirmou Netto. "A Polícia Militar hoje chora juntamente com os familiares dessas pessoas que lamentavelmente vieram a óbito, mas que permaneçam acreditando na nossa instituição. Não podemos tomar o todo pela parte. Foi uma ação isolada, errada e está sendo apurada. Esses policiais, além de responder pela Justiça Militar, eles poderão ser excluídos da corporação."

As famílias dos jovens decidiram entrar na Justiça com ação conjunta contra o Estado. Os corpos de Roberto, Wilton Esteves Domingos Júnior, de 20 anos, Wesley Castro Rodrigues, de 25, Cleiton Corrêa de Souza, de 18, e Carlos Eduardo da Silva de Souza, de 16, serão enterrados às 16 horas, no Cemitério de Irajá.

Punição. O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), admitiu a hipótese de execução no caso dos cinco jovens mortos a tiros. O Rio contabiliza episódios semelhantes de mortes de inocentes por PMs, mas para Pezão a ocorrência não poderia ter sido evitada pelo comando do 41º BPM ou pela Secretaria de Segurança. 

"Infelizmente foge ao controle de qualquer comandante de batalhão ou secretário de Segurança uma atitude como essa. É muito dolorido, é abominável. É muito triste a gente ver quase 50 tiros em um automóvel. Isso não é trivial, não é normal", afirmou, após participar de um seminário na Associação das Empresas de Engenharia do Rio de Janeiro (Aeerj).

O governador disse que pediu força total da Procuradoria-Geral do Estado, da Defensoria Pública e da Assistência Social do Estado para dar apoio às famílias dos jovens mortos.

"É o mínimo que a gente pode fazer. Isso não repara, é doloroso, mas eu quero o Estado muito presente nesse caso e se tiver que punir que puna imediatamente", disse. "Nunca julgo premeditadamente as pessoas, mas parece que foi execução. E isso nós não vamos tolerar. Se tiver que expulsar, vamos", afirmou sobre os PMs envolvidos. 

O governador evitou ligar o caso a um episódio de racismo, por se tratar de jovens negros. "Não é racismo. É erro e erro a gente vai combater."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.