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Comandante do Batalhão do Méier é assassinado no Rio

Tenente-coronel foi baleado após carro ter sido interceptado por criminosos; ele é o 111.º policial morto no Estado neste ano

Constança Rezende e Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

26 Outubro 2017 | 14h31
Atualizado 26 Outubro 2017 | 23h40

RIO - O comandante do 3.º Batalhão da Polícia Militar, no Méier, zona norte do Rio, tenente-coronel Luis Gustavo Teixeira, de 48 anos, foi morto a tiros na manhã desta quinta-feira, 26, após o carro em que estava, um Gol, ser interceptado por um Audi com criminosos. Houve tiroteio, e os quatro bandidos balearam o coronel e outro PM, cabo Nei Filho.

+++ Novo tiroteio impede acesso de bombeiros à Rocinha

Mesmo ferido na perna, o praça enfrentou os suspeitos com uma pistola, até que sua munição acabou. Eles desistiram do veículo roubado em que tinham chegado e fugiram em direção ao Complexo do Lins, um deles em uma moto roubada. Primeiro, a PM classificou o ataque - no qual o Gol levou pelo menos 17 tiros - como atentado. Depois, afirmou que foi um arrastão contra motoristas.

Baleado duas vezes, uma delas no peito, o oficial foi socorrido ainda vivo e levado para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, mas não resistiu e morreu. O cabo Nei Filho, vestido à paisana, sofreu um ferimento na perna e está fora de perigo. Na perseguição aos suspeitos, a PM interditou a Estrada Grajaú-Jacarepaguá e iniciou uma operação no Complexo do Lins e ruas próximas, mobilizando 300 policiais de vários batalhões na operação. Até o início da noite, os supostos responsáveis pelo ataque não tinham sido identificados, nem localizados. 

O corpo do tenente-coronel Teixeira será sepultado às 15h30 de hoje no Cemitério Jardim da Saudade de Sulacap. O policial estava havia 26 anos na Polícia Militar e comandava o 3.º BPM havia um ano e meio. Deixou viúva e dois filhos. A notícia de que fora baleado atraiu para o hospital muitos colegas e moradores do Méier que o conheciam. Entre os policiais - alguns colegas de turma na academia da PM, além de companheiros de trabalho e amigos - o clima era de consternação.

O tenente-coronel Teixeira foi o 111.º PM morto no Rio neste ano, mas não o único nesta quinta-feira. À tarde, no Shopping Guadalupe, na zona norte, ao reagir a um assalto, o cabo Djalma Pequeno morreu no local. Outro policial, o soldado Alex Morais de Andrade, foi ferido.

Apoio

O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Wolney Dias, disse que existe a possibilidade de solicitar apoio das Forças Armadas. “Há pouco falei com o secretário de Segurança (Roberto Sá), com o subsecretário, sobre a possibilidade de receber apoio das Forças Armadas”, disse. 

“Pedi para marcar uma reunião com o comandante militar do Leste, que já se colocou à disposição. A reunião deve acontecer ainda hoje (quinta-feira) ou amanhã (sexta-feira), o mais rápido possível, para que possamos contar com a valiosa ajuda das Forças Armadas. Eu pedi, e penso que quando tivermos essa reunião poderemos definir a forma de atuação. Não formalizei esse pedido ainda, mas faz-se necessário esse apoio. Penso que no menor espaço de tempo isso poderá acontecer”.

 

Rocinha

Do outro lado da cidade, na Favela da Rocinha, zona sul do Rio, o dia também foi de violência. Um intenso tiroteio entre policiais e traficantes aconteceu por volta do meio-dia. Por causa da troca de tiros, um transformador de energia pegou fogo. Um suspeito foi preso. O confronto ocorreu menos de 24 horas depois de uma menina de 12 anos, Ana Clara Barbosa da Silva, ter sido atingida por uma bala perdida na favela.

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