Fábio Teixeira/AP
Fábio Teixeira/AP

Chefe dos militares que atiraram em família no Rio diz que catador disparou contra militares antes

Tenente do Exército alega que sua tropa já estava 'assustada' com uma ação de traficantes horas antes

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2019 | 19h40

RIO - O tenente do Exército Ítalo Nunes, que comandava os militares que atiraram 257 vezes em direção ao carro onde estava o músico Evaldo Rosa dos Santos, em abril, acusou o catador Luciano Macedo, também morto na ação, de estar armado e praticando assaltos naquele dia. Ainda segundo Nunes, o catador teria atirado contra os soldados de sua tropa, que já estava “assustada” devido à ação de traficantes horas antes.

O militar fez a acusação em depoimento à Justiça Militar nesta segunda-feira, 16. A declaração do tenente, contudo, diverge do trabalho dos peritos encarregados do caso. Eles não encontraram nenhuma arma no local do crime. Confrontado com esses elementos, Nunes disse que a arma teria sido recolhida por outra pessoa e levada para a favela do Muquiço.

A família de Evaldo Rosa sempre declarou que o catador Luciano Macedo tentou ajudar o músico. Ele teria sido atingido ao tentar ajudar os ocupantes do veículo.

A ação que terminou com dois mortos aconteceu em sete de abril, quando Evaldo dirigia um veículo Siena em Guadalupe, na zona norte do Rio. Ele estava com familiares e voltava de um chá de bebê quando o carro foi atingido por 77 disparos de fuzil – a perícia apontou que 257 tiros foram efetuados. Ao todo, 12 militares que atuaram na ação respondem pela ação.

 

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