Reginaldo Pupo/Estadão
Reginaldo Pupo/Estadão

Comitê do Paraíba do Sul quer redução da vazão mínima para preservar reservatórios

Objetivo é garantir abastecimento das 9 milhões de pessoas e também das indústrias abastecidas por essas reservas de água

Felipe Werneck, O Estado de S. Paulo

28 Janeiro 2015 | 18h53

RIO - O Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (Ceivap) vai propor a redução da vazão mínima na estação elevatória de Santa Cecília, em Barra do Piraí (RJ), na próxima reunião com representantes da Agência Nacional de Águas (ANA) e dos órgãos gestores de São Paulo, Rio e Minas Gerais, na quinta-feira da semana que vem. O objetivo é preservar os estoques disponíveis nos reservatórios que abastecem cerca de 9 milhões de pessoas e indústrias na região metropolitana do Rio.

“Tudo vai depender da quantidade de chuva que cairá na bacia até o dia 4, mas a situação já é crítica”, disse a vice-presidente do Ceivap, Vera Lúcia Teixeira. Dois dos quatro reservatórios já atingiram o chamado volume morto.


Em Santa Cecília, cerca de dois terços das águas do Rio Paraíba do Sul são transpostas para o Rio Guandu, que abastece o Estado. Em condições hidrológicas normais, a vazão mínima é de 190 m³/s, sendo 119 m³/s para o Guandu. No entanto, desde maio do ano passado a ANA vem emitindo resoluções que buscam preservar os estoques. Atualmente, está autorizada a vazão mínima de 140 m³/s a partir da barragem de Santa Cecília.

Nesta terça-feira, o coordenador do Instituto de Mudanças Globais da Coppe/Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Marcos Freitas, disse ao Estado que, se não chover o suficiente para encher parte dos reservatórios e for mantida a atual vazão, os 2,95 trilhões de litros acumulados nas reservas técnicas das quatro represas só duram até outubro. Freitas e Vera defendem que seja adotado um racionamento imediato para a população, medida que o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) afirma não considerar necessária no momento. O governo estuda, porém, cortar parte do fornecimento a grandes indústrias.

Outros municípios. Em cidades do Grande Rio como Niterói e São Gonçalo, abastecidos pelo manancial Imunana/Laranjal, a situação é melhor do que no Paraíba do Sul, mas já preocupa autoridades. Trata-se da região que mais cresce no Rio, em função das obras do Complexo Petroquímico da Petrobrás (Comperj). “A bacia não tem tanta sobra de água, mas ainda é suficiente. Tivemos problemas operacionais na semana passada causados pela interrupção no fornecimento de energia, que parou o bombeamento.

Não há falta d’água, mas estamos acompanhando a situação com preocupação”, disse o vice-prefeito de Niterói, Axel Grael. O município é um dos mais atingidos pela estiagem, o que aumenta o risco de incêndios florestais. “Quem usa água de subsolo está começando a ter problemas”, reconheceu Grael. Em Niterói, desde 2007 as construtoras são obrigadas por lei a criar sistemas de captação de água da chuva em novos prédios.

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