Igor Gadelha
Igor Gadelha

Irmã de Marielle cobra resposta da polícia e diz que família está sentida com mentiras

Anielle Silva e Mônica Benício chegaram ao evento acompanhadas de parlamentares e militantes

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

22 Março 2018 | 11h24

BRASÍLIA - A irmã da vereadora do Rio Marielle Franco (PSOL) cobrou nesta quinta-feira, 22, que a polícia desvende o assassinato da irmã e do motorista dela, Anderson Gomes, executados a tiros na semana passada na capital fluminense. Em declaração à imprensa após participar de sessão solene do Dia Internacional do Direito à Verdade na Câmara dos Deputados, Anielle Franco disse acreditar que a irmã não foi morta pelas causas que defendia.

"Nossa família urge por Justiça. Que as autoridades competentes consigam descobrir o porquê disso, por que calaram minha irmã. Por quê? (...) Quero entender por que fizeram isso com ela. Pelas causas que ela defendia? Acho que não. Porque se fosse assim muita gente era para estar morta hoje em dia.", afirmou Anielle. "Independentemente de posição política, ninguém merece morrer como ela morreu", acrescentou. 

Anielle disse que a família está muito "sentida" com mentiras sobre a vereadora que, segundo ela, estão sendo propagadas. "Muita coisa sendo dita que não é verdade. Toda vez que falo: vou dar só uma declaração, sinto uma necessidade muito grande de falar para vocês que, em nome da família, a gente está muito sentido. A gente está muito perdido com tudo isso", declarou a irmã de Marielle. 

+++ Polícia Civil volta ao lugar onde Marielle e Anderson foram mortos

Nessa quarta-feira, 21, o PSOL ingressou com uma representação no Conselho de Ética da Câmara contra o deputado Alberto Fraga (DEM-DF), sob acusação de que ele quebrou o decoro parlamentar por ter divulgado informações falsas sobre Marielle. Na sexta-feira, 16, ele publicou no Twitter um comentário em que apontava suposta relação entre a vereadora e uma organização criminosa. A postagem foi removida de seu perfil no domingo, 18, após protestos dos internautas. 

No caminho até o plenário da Câmara, Anielli e a companheira de Marielle, Mônica Benício, cruzaram com Fraga, que é coordenador da chamada "bancada da bala", mas não houve reação de nenhum dos lados no encontro.

"A gente quer dizer que o Brasil precisa e necessita que esse crime seja esclarecido. Isso não pode ficar impune, enquanto muitos outros já ficaram impune, esse não pode. Não é porque é minha irmã. Não é isso. Não quero colocar ninguém no pedestal. Quero dizer que foi uma covardia, uma barbaridade", afirmou Anielle. "A gente quer dizer que quem fez acordou um gigante, um gigante que talvez estava adormecido, mas que a gente vai seguir na luta." 

+++ Batalhão do Rio é alvo de 212 inquéritos

Mônica também cobrou resposta da polícia em rápido discurso na tribuna da Casa. "As autoridades brasileiras competentes não devem só a mim a satisfação sobre o que aconteceu com a minha mulher, porque isso não vai trazer ela de volta, mas ao mundo o respeito e satisfação do que aconteceu nesse crime bárbaro", afirmou. "A luta dela não terminou a morte dela", disse.

Autora do pedido para realização da sessão solene, a deputada Luiza Erundina (PSOL-SP) fez homenagem à vereadora."Marielle Franco deu sua vida pelos direitos humanos, pela liberdade democrática e igualdade dos seres humanos no País. Marielle vive", discursou a parlamentar paulista da tribuna do plenário da Câmara.

Erundina afirmou que o objetivo da sessão é "denunciar a não revelação da verdade" de pessoas assassinadas por motivos políticos. "E exigir que se apure e se providencie na Justiça a punição aos culpados", afirmou a deputada. De acordo com ela, são pelo menos 434 "desaparecidos políticos" no Brasil revelados pela Comissão Nacional da Verdade.

+++ Novos chefes das polícias comandarão transformação, diz general

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.