EFE/ Antonio Lacerda
EFE/ Antonio Lacerda

Complexo do Alemão registra 4 mortes em 5 dias de confrontos

Trocas de tiros entre traficantes e policiais se intensificaram na sexta, quando a PM iniciou a instalação de uma cabine blindada na localidade Largo do Samba

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

25 Abril 2017 | 22h43

RIO - O estudante Paulo Henrique de Oliveira, de 13 anos, morreu na manhã desta terça-feira, 25, no Hospital Salgado Filho. Ele havia sido baleado na barriga, quando estava dentro de casa, na Grota, uma das favelas do Complexo do Alemão, na noite de segunda-feira. O tiro atingiu fígado e rim, e o menino não resistiu aos ferimentos. Foi a quarta morte na região, em cinco dias de confrontos.

As trocas de tiros entre traficantes e policiais se intensificaram na sexta-feira, 21, quando policiais militares iniciaram a instalação de uma cabine blindada na localidade Largo do Samba, um ponto de observação de traficantes, na Favela Nova Brasília. No confronto de segunda-feira, três policiais ficaram feridos. O cabo Mateus Bastos de Assis, ferido no rosto e nos braços, está internado em estado grave no Hospital Central da PM.

Na sexta-feira, três pessoas morreram: o soldado do Exército Bruno de Souza, de 24, atingido dentro de casa; Gustavo da Silva, de 17, baleado a caminho de uma padaria, onde trabalhava; e Marcos Paulo Silva de Oliveira, que, segundo a polícia, tinha envolvimento com o tráfico. 

Na tarde desta terça, moradores fizeram protesto na Estrada do Itararé, contra a violência na região. Eles levaram lençóis brancos. PMs jogaram bombas de gás lacrimogêneo e gás de pimenta para dispersar a manifestação. 

A Polícia Militar deixou quatro casas de moradores que foram ocupadas pelos policiais e usadas como base por PMs da Unidade de Polícia Pacificadora na Favela Nova Brasília. A desocupação das casas foi garantida pelo subcoordenador de Polícia Pacificadora, durante a audiência pública "Casas Invadidas, Vidas Violadas e Outros Abusos Policiais no Complexo do Alemão", na segunda-feira.

O Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da Defensoria havia recomendado à Secretaria de Segurança e ao Comando Geral da PM para que fosse expedida ordem determinando a proibição de invasão de casas, ocupadas ou não por seus moradores. A Defensoria recomendou ainda que as quatro famílias fossem indenizadas por danos morais e materiais. 

 

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