Concessionária já foi multada duas vezes após acidentes

Um dos acidentes mais graves da empresa ocorreu há 3 anos, na plataforma da estação Japeri, com 52 feridos

Agência Estado,

30 Agosto 2007 | 19h24

A SuperVia já recebeu duas multas da Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos do Rio de Janeiro (Agetransp) por falhas de procedimentos operacionais previstos no contrato de concessão após acidentes que deixaram feridos e uma pessoa morta.   Veja também:  Governo encerra resgate no acidente com trens  Laudo do choque de trens sai em 10 dias  Veja outros acidentes no Brasil e no mundo  Empresa vai dar informações do acidente por telefone   Um dos acidentes mais graves ocorreu há praticamente três anos, em 10 de agosto de 2004, quando dois trens chocaram-se de frente na plataforma da estação Japeri, deixando 52 pessoas feridas. Em junho de 2006, um choque de veículos de manutenção na estação de São Cristóvão matou um prestador de serviços.   As multas aplicadas à SuperVia foram correspondentes a 0,01% do faturamento anual da empresa, tendo como referência o exercício imediatamente anterior aos acidentes. Há ainda o registro de um descarrilamento de uma composição na estação da Leopoldina em fevereiro de 2001, com o saldo de 12 feridos leves.   Em agosto do mesmo ano, uma pessoa morreu e cerca de 20 ficaram feridas após colisão de um trem que seguia em direção à estação de Duque de Caxias com o último vagão de outro trem, que vinha em direção contrária e não entrou a tempo no desvio da linha.   Segundo relatório da Agetransp, órgão que substituiu a antiga Aseprj, a SuperVia transportou em 2006 105,792 milhões de passageiros e é a segunda que mais gera reclamações dos usuários no Estado, ficando atrás apenas da Opportrans. Em 2006, a agência anotou 198 ocorrências contra a SuperVia. A companhia administra desde 1998 a malha ferroviária que abrange 11 municípios da região metropolitana do Rio de Janeiro.   Controlada por um consórcio espanhol, a Supervia S.A. assumiu a gestão da malha ferroviária da região metropolitana do Rio em novembro de 1998, dois anos após um dos mais graves acidentes do sistema, com 14 mortos e 32 feridos. A privatização, porém, não resolveu os problemas com acidentes e atropelamentos nas linhas férreas operadas pela companhia, que diz ter investido, até 2006, quase R$ 400 milhões em modernização da malha.   Em janeiro de 1999, quatro pessoas morreram e pelo menos 34 ficaram feridas no choque entre dois trens, em Piedade, na zona norte. Um ano depois, outro choque, desta vez em São Cristóvão, deixou 58 feridos. Em fevereiro de 2001, uma composição de quatro vagões invadiu a plataforma de embarque da Estação Leopoldina, destruiu duas pilastras, deixando 12 feridos. Já em agosto de 2004, 47 ficaram feridos no choque entre dois trens, no Ramal de Japeri.   A empresa é criticada ainda pela falta de segurança na linha férrea e da má sinalização em passagens de nível, que já provocou uma série de choques entre trens e veículos. Em 2004, pelo menos três pessoas morreram atropeladas ao tentar atravessar os trilhos, depois de passar por um buraco nos muros ao longo da via. Em março deste ano, um trem matou duas adolescentes que andavam pelos trilhos.   Os controladores da Supervia, Construcciones Fecrocarriles y Auxiliar de Ferrocarriles (CAF) e Rede Nacional de Ferrocarriles Españoles (Renfe), pagaram US$ 275 milhões pela concessão e atuam na operação de linhas férreas na Espanha. A empresa já recebeu pelo menos duas multas da Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos do Estado do Rio (Agetransp) por falhas no sistema que levaram a acidentes. O pior acidente registrado no Rio, porém, ocorreu em 1958, com 130 mortos e 200 feridos no choque entre dois trens na Mangueia, zona norte.

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