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Conflitos no Rio deixam 12 pessoas mortas

Dois policiais morrem e quatro são feridos em explosão de helicóptero abatido pelo tráfico

Pedro Dantas, de O Estado de S. Paulo, com informações da Agência Estado, AE

17 de outubro de 2009 | 16h13

Dois policiais morreram e quatro ficaram feridos neste sábado após um helicóptero da Polícia Militar, atingido por tiros, realizar um pouso forçado nas imediações do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, na zona norte do Rio. O aparelho, que tinha apenas o fundo blindado, dava apoio a uma operação com 120 homens da PM para acabar com o confronto entre traficantes na disputa por pontos de vendas de drogas na favela. Atingido por disparos dos bandidos, o helicóptero Fênix pegou fogo logo após pousar num campo de futebol.

 

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Dois dos seis tripulantes morreram carbonizados e os outros policiais foram resgatados com queimaduras. Outros dois policiais e dois moradores foram feridos em terra. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, dez pessoas “engajadas no confronto” também morreram no episódio, seja na guerra entre os traficantes, seja no confronto com a polícia.

 

 

Após pouso forçado em campo de futebol, helicóptero começou a pegar fogo e explodiu 

 

O major João Jacques Busnello, que recentemente ganhou notoriedade ao matar com um tiro certeiro um sequestrador que mantinha sua vítima imobilizada, foi ferido na perna durante a operação. Segundo a polícia, integrantes do Comando Vermelho (CV) tentaram invadir o Morro dos Macacos, dominado pela facção Amigos dos Amigos (ADA).

 

De acordo com o relato de moradores, o confronto entre traficantes começou por volta de 1h30 e se estendeu durante a manhã e início da tarde. Alguns moradores da favela colocaram fogo em pneus na Rua Visconde de Santa Isabel, perto da carceragem da Polinter, que abriga 150 presos do CV. “Quebraram o vidro de uma viatura. Diziam que queriam a presença da polícia para voltar para suas casas”, disse o delegado Orlando Zaconne, diretor da Divisão de Carceragens. Segundo policiais, houve tentativa de invasão para linchar presos da facção.

 

Em outro ponto da zona norte, perto da Favela do Jacaré, pelo menos oito ônibus foram incendiados até o início da tarde. Para a PM, uma ação de traficantes para desviar a atenção da polícia do conflito nos Macacos. O sindicato das empresas de ônibus, Rio Ônibus, informou ter notícias de dez coletivos queimados, contabilizando prejuízo de R$ 2,5 milhões.

 

O motorista Fábio dos Santos, de 29 anos, contou que foi retirado do volante de um dos ônibus na Avenida Dom Hélder Câmara por um grupo de pelo menos 20 bandidos armados. “Tive um fuzil e uma pistola apontados para minha cabeça. Foi a pior sensação possível.” O motorista Severino Monteiro, de 46 anos, contou que, depois de ser retirado do veículo que dirigia, foi obrigado a atravessar outro ônibus na avenida para ser incendiado.

 

O conflito também provocou prejuízos na Escola Municipal Assis Chateaubriand, em Vila Isabel, onde uma bala traçante atingiu computadores e provocou incêndio.

 

 

O helicóptero abatido havia sido deslocado para resgatar um policial do 6º Batalhão da Polícia Militar encurralado no alto do morro. Segundo testemunhas, o aparelho foi alvo de muitos disparos. Atingido, começou a pegar fogo e o piloto tentou pousar no campo de futebol da Vila Olímpica do Sampaio, a 5 km do Macacos. “Ouvimos um barulho de helicóptero, depois o som do impacto no chão, seguido por uma explosão”, relatou uma moradora. Três policiais que sobreviveram à queda pularam do aparelho antes de ele tocar o chão.

 

Ação das facções foi em retaliação à operação da polícia

 

Segundo o major Oderlei Alves, relações-públicas da PM, dois deles, além de sofrer queimaduras, foram baleados no ar. O quarto ferido é o único internado em “estado gravíssimo”, com queimaduras severas em todo o corpo e vias respiratórias. “Um PM saiu com o corpo em chamas e ficou apenas de cuecas”, contou um morador.

O resgate dos feridos foi prejudicado pela manutenção dos tiros dos bandidos na direção dos policiais. Uma ambulância e três viaturas chegaram ao local 50 minutos depois. Dois outros helicópteros, um da PM e outro blindado da Polícia Civil foram acionados e sofreram disparos, mas não foram abatidos. O confronto se estendeu para favelas vizinhas ao Morro dos Macacos e do Complexo do São João.

 

(Ampliada às 19h15)

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