Confrontos em favelas têm 'predisposição' eleitoral, diz Beltrame

Em três dias, cinco pessoas morreram em oito favelas pacificadas ou em processo de pacificação no Rio

Thaise Constancio, O Estado de S. Paulo

02 Outubro 2014 | 13h02

Atualizada às 21h33

RIO - Em três dias, cinco pessoas morreram em confrontos em oito favelas pacificadas ou em processo de pacificação no Rio. O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, afirmou acreditar em uma “predisposição” para confrontos no período eleitoral. Nesta quinta-feira, 2, 13.396 alunos de 24 unidades escolares ficaram sem aulas.

“Não posso dizer que está relacionado com as eleições, mas pode haver uma predisposição para isso. Esse é um movimento do tráfico no sentido de (querer) desmoralizar totalmente o trabalho de pacificação. Quem sabe pretendendo que esse processo não continue porque isso (os conflitos) é uma demonstração de que prejuízos estão acontecendo a esses marginais”, disse, após reunião com o governador Luiz Fernando Pezão e a cúpula de Segurança.
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Beltrame lembrou que em 2007, quando anunciou a transferência de 40 presos para presídios federais, “seis pessoas barbarizaram a cidade”, após traficantes ordenarem que ônibus fossem incendiados e delegacias, metralhadas. Em 2010, às vésperas das eleições, os bandidos coordenaram incêndios em diversos pontos da cidade.

“O Rio já viveu dias muito piores. A cidade tem razão em pedir paz, mas a situação hoje é muito melhor do que era. O que o Rio assistiu ontem acontece há 20 anos e nada foi feito.” O policiamento foi reforçado nas oito áreas.

Morte. Na madrugada desta quinta-feira, 2, Adriano de Souza da Silva, de 20 anos, morreu após confronto com agentes da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Complexo do Alemão. Com ele, foi apreendida uma pistola 9 milímetros. Outro homem de 22 anos foi ferido e internado no Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca. Também foi encontrada uma mochila com drogas e um radiotransmissor.

Na quarta-feira, no início da noite, um ônibus foi incendiado perto do Morro do Cavalão, em Niterói, na região metropolitana, com participação de 15 menores de idade, segundo a PM. Na véspera, dois adolescentes morreram e dois homens foram presos após operação policial na favela, que tem uma Companhia Destacada.

Transferência. O secretário de Segurança disse que o incêndio foi orquestrado pelo ex-chefe do tráfico local, Reinaldo Medeiros Inácio, o Cadar. Beltrame pedirá a transferência de Bangu 3 para um presídio federal. 

As demais ações foram isoladas, segundo o secretário. No Complexo da Maré, ocupado pelas Forças de Pacificação, há confrontos desde terça-feira. As três facções criminosas do Estado (Terceiro Comando Puro, Amigos dos Amigos e Comando Vermelho) tentam retomar territórios. 

Na terça, um jovem morreu no Conjunto Esperança. Na quarta, pelo menos oito traficantes com pistolas e fuzis invadiram uma empresa de logística na Avenida Brasil. Três foram presos por policiais da UPP do Caju. Segundo a Coordenadoria de Polícia Pacificadora, seriam do Morro da Pedreira e estariam abrigados no Caju para ajudar na invasão da Maré.

Na terça, no Complexo da Penha, um traficante identificado como Peru morreu com um tiro no peito, após confronto com policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Com ele havia uma arma e uma granada.

Um ônibus e uma viatura foram apedrejados durante confusão com agentes da UPP do Morro da Formiga, na Tijuca, durante uma blitz para coibir mototaxistas ilegais. No Morro da Mangueira, houve dois confrontos entre traficantes do CV e ADA, sem “disparo de policiais”. Já no Morro da Rocinha houve tiroteio sem feridos. E, na Ladeira dos Tabajaras, policiais investigam a migração de traficantes da Rocinha e do Vidigal, além de armas e drogas na favela.

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