AP Photo/Diego Herculano
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Contra possível motim no Rio, Pezão reajusta salários em até 10,22%

Estado previa adiar aumento de servidores da segurança para 2020; governador se reuniu com Jungmann, o comandante da PM e o secretário da Segurança

Mariana Durão, O Estado de S. Paulo

08 Fevereiro 2017 | 16h48
Atualizado 08 Fevereiro 2017 | 22h33

RIO - Para evitar possível motim de policiais, o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), garantiu nesta quarta-feira, 8, que pagará os salários dos servidores da segurança no dia 14, com reajuste de até 10,22%. No pacote de austeridade fiscal para o Estado proposto no fim do ano, o governo previa adiar para 2020 o início do pagamento de reajustes aprovados em 2014, o que foi barrado pela Assembleia. 

A decisão de pagar a categoria foi anunciada após reunião entre o governador e o alto escalão da segurança do Rio, para tratar da onda de rumores nas redes sociais a respeito de supostos movimentos de paralisação das atividades da Polícia Militar fluminense, como acontece no Espírito Santo.

Pezão levou a preocupação ao ministro da Defesa, Raul Jungmann. O governo solicitou que o setor de inteligência das Forças Armadas fosse acionado para localizar as origens do que chamou de “boatos”. Segundo fonte ouvida pelo Estado, o governador pediu ajuda em caso de distúrbio. A presença da Força Nacional no Estado, porém, amenizaria o temor de uma convulsão social.

Os salários de janeiro de ativos, inativos e pensionistas da segurança – policiais militares e civis, bombeiros, agentes penitenciários e funcionários das pastas de Segurança e Administração Penitenciária – e ativos da Educação serão depositados na terça. O valor será de R$ 920 milhões. 

Segundo o governo, os servidores da segurança receberão pagamento com até 10,22% de aumento. A PM e os Bombeiros terão reajuste de 7,65%. Já a Polícia Civil receberá o teto. As duas últimas parcelas serão pagas em 2018 e 2019.

Reação. O subtenente Mesac Eflaim, da Associação dos Bombeiros Militares do Estado, diz que não desmobilizará a categoria. “Queremos nosso direito adquirido: salário em dia e 13.º.” Segundo ele, o movimento de mulheres de PMs para paralisar batalhões amanhã é crescente. 

Os impactos dos reajustes da segurança são altos. Por isso, Pezão cogitava reapresentar projeto para postergá-los. Sem isso, o Rio teria de bancar R$ 835 milhões em aumentos neste ano. Somente na folha de janeiro, os reajustes representam gasto adicional de R$ 67,9 milhões, segundo a Secretaria de Fazenda.

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