Christophe Simon/AFP
Christophe Simon/AFP

Contra reabertura, MP diz que ainda há rachaduras na Ciclovia Tim Maia

Trecho da estrutura desabou em abril de 2016, por causa da força das ondas do mar, e provocou a morte de duas pessoas

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2017 | 19h09

RIO - O Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro concluiu que não há condições para a reabertura da Ciclovia Tim Maia, que fica na Avenida Niemeyer, entre os bairros de Leblon e São Conrado, na zona sul do Rio. Um trecho da estrutura, suspensa, desabou em abril de 2016, por força das ondas do mar. Na ocasião, duas pessoas morreram. Segundo o MP, as obras de fortalecimento da construção não foram suficientes para seu uso pela população, já que ainda há sinais de corrosão e falhas estruturais.

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A 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Ordem Urbanística da Capital manifestou-se nesta quinta-feira, 19, em favor da continuidade dos estudos sobre a ciclovia. 

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"As obras realizadas pelo consórcio responsável pela ciclovia não são suficientes para garantir um mínimo de segurança, não tendo sido sequer precedidas dos necessários estudos hidrológicos", diz relatório do Grupo de Apoio Técnico (Gate) do MP, que vem vistoriando o local.

O Gate constatou que persistem diversos pontos de corrosão e falhas na estrutura da ciclovia, que foi erguida com vistas à Olimpíada, em agosto de 2016, ao custo de R$ 45 milhões. O desabamento aconteceu três meses depois da inauguração. 

 

"Faz-se imprescindível, pois, a continuação do estudo do impacto das ondas em toda a zona costeira entre Praia do Pepino até o Viaduto Rei Alberto e Gruta da Imprensa", pontua o documento, que foi encaminhado à 9ª Vara de Fazenda Pública.

O trabalho do Gate afirma que a tragédia do ano passado poderia se repetir caso a passagem, muito procurada por ciclistas, moradores e turistas, em função da bela vista do mar, seja reaberta ao público. Isso, "diante da não-realização dos estudos hidrológicos necessários, da corrosão e do mau estado das estruturas de suporte da ciclovia".

A necessidade da realização de estudos hidrológicos já havia sido apontada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH), segundo o MP, que também se debruçou sobre o caso. Nos autos do processo, diz o MP, a prefeitura e o consórcio Contemat-Concrejato, responsável pela construção, contestaram os laudos do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (Crea) e realizou as obras sem levá-los em consideração.

A reportagem aguarda posicionamentos da prefeitura e do consórcio sobre a análise do MP. 

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