Coronel cita 'Capitão Nascimento' em passeata de PMs no Rio

Manifestação de policiais é por aumento de salários da categoria, que cobra de Sérgio Cabral 'promessas'

Talita Figueiredo, de O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2008 | 16h01

A menos de 50 metros da esquina da rua onde mora o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), no Leblon (zona sul), o coronel Paulo Ricardo Paúl - líder do movimento Coronéis Barbonos - fez uma alusão ao personagem capitão Nascimento do premiado filme Tropa de Elite ao encerrar seu discurso na manifestação de policiais militares por aumento salarial, no início da tarde deste domingo, 17. Ao usar o bordão "pede para sair", endereçada ao governador, ele foi ovacionado pelos cerca de 400 participantes, entre oficiais, praças e familiares, que percorreram cerca de 2 km na orla, entre Ipanema e Leblon. Apesar de não haver intenção de a passeata chegar à frente do prédio do governador, no número 27 da rua Aristídes Espínola, a Polícia Militar estava preparada para evitar problemas. Pelos menos 30 PMs, inclusive o comandante do 23º Batalhão de Polícia Militar, coronel Carlos Milan, faziam a segurança do quarteirão onde mora o governador. Seis motos, quatro carros, dois quadricíclos e um carro elétrico faziam a segurança da rua. Milan se recusou a falar com a imprensa e se limitou a informar que estava ali "para garantir a ordem". Esta foi a segunda passeata em menos de um mês capitaneada pelo grupo entitulado Coronéis Barbonos. Dois dias depois da primeira manifestação, em 27 de janeiro, o coronel Ubiratan Ângelo foi exonerado do posto de comandante da Polícia Militar, por não ter impedido o ato. Outros nove oficiais que na época participaram da manifestação também foram exonerados das funções que ocupavam e toda a cúpula da PM foi trocada. O coronel Paúl foi exonerado do cargo de corregedor dias antes da primeira passeata, depois de escrever em seu blog que o policial militar está sujeito à corrupção por causa dos baixos salários. Durante a semana passada, os policiais foram orientados em seus batalhões a não comparecerem ao ato de protesto. A informação transmitida era de que os comandantes que participassem seriam exonerados. O coronel Paúl atribuiu à intimidação a redução em cerca de 30% de policiais na manifestação de ontem em comparação com a primeira. Apesar de o artigo 43 do estatuto da PM vetar a participação de policiais em "quaisquer manifestações, tanto sobre atos superiores, quanto as de caráter reivindicatórios ou político", o coronel diz que nenhum "regimento interno pode passar por cima da Constituição Federal." "A Carta Magna nos assegura o direito de nos manifestarmos pacífica e ordeiramente e estamos fazendo isso. Todos aqui estão de folga, sem farda e sem armas". O coronel, no entanto, se mostrou cuidadoso com agressões à imagem do governador. Quando viu que um sargento PM distribuía panfletos com uma montagem que mostrava o rosto de Cabral com um nariz de pinóquio. "Isso é infiltração. Alguém está querendo nos prejudicar", reclamou. Texto alterado às 17 horas para acréscimo de informações

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