Polícia Civil/Divulgação
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Coronel da reserva denunciou irmão por homicídio no Metrô

Edvardo Camelo Costa já tinha nove passagens pela polícia e havia cumprido mais de dez anos de prisão

Fábio Grellet e Danielle Villela, O Estado de S. Paulo

14 de julho de 2015 | 17h31

RIO - Edvardo Camelo Costa, de 46 anos, acusado de matar a tiros o auxiliar de serviços gerais Alexandre de Oliveira, também de 46 anos, durante assalto praticado dentro da estação Uruguaiana do metrô do Rio na última sexta-feira, 10, foi denunciado pelo próprio irmão, Edivaldo Camelo da Costa, de 53 anos, coronel aposentado da Polícia Militar do Rio. Edvardo teve sua prisão temporária por 30 dias decretada pela Justiça e está foragido.

Antes desse crime, Edvardo já tinha nove passagens pelo polícia, por roubos, estelionato e formação de quadrilha. Já condenado em três casos, ele passou mais de dez anos preso e estava em liberdade desde março, quando reencontrou o irmão, com quem não tinha contato havia 20 anos. O PM aposentado acolheu o irmão, oferecendo uma casa para Edvardo morar e um emprego em uma loja da família. Para o irmão, Edvardo não tinha nenhuma razão para voltar a cometer crimes. “Ele tinha salário, casa, tudo”, afirmou, em entrevista à TV Globo.

Edivaldo contou que estava com a família na ponte Rio-Niterói quando viu, pelo celular, uma reportagem que mostrava o rosto do irmão como acusado pelo crime. "Eu não queria acreditar no que estava vendo. Sabe quando você fica desnorteado, procurando um sinal? Começa a aumentar a imagem, aparece o braço dele. Será que eu estou confundindo? Parei na ponte, liguei o pisca alerta, comecei a olhar, a procurar desesperado, achando que era ele, mas eu tinha que encontrar alguma coisa que não fosse ele”, disse.

Convencido de que era o irmão, ele foi à polícia para denunciar o irmão. “Você tem a obrigação moral de denunciar um canalha, mesmo que seja seu irmão, seu filho, seu pai, seja que for. Você tem que pensar que a dor da outra família é muito maior que a sua”, desabafou. “Eu peço perdão à família. Me perdoe se eu contribuí de alguma forma para que meu irmão fizesse isso, não foi minha intenção. Eu sei da dor que é perder um ente querido, mas infelizmente não posso fazer nada”, falou.

Edivaldo não se arrepende de ter denunciado o irmão. “Faria tudo de novo. Podem falar o que quiser, minha família me criticar, mas eu faria tudo de novo. É meu dever moral. Não é meu dever como polícia, é o dever moral de qualquer um. Faço questão de participar da prisão. Se alguém me falar: ‘seu irmão está aqui’, na mesma hora informo para a DH (Divisão de Homicídios) e vou para o local também. Faço questão de ser testemunha de acusação para dizer que ele não tinha necessidade. Eu faço questão”, concluiu.

O crime. Por volta das 13h de sexta-feira, Edvardo e outros dois ladrões abordaram Alexandre de Oliveira na bilheteria da estação Uruguaiana. O auxiliar de serviços gerais não reagiu, mas foi baleada no tórax e no pescoço. Outro passageiro do metrô, Diogo Munhoz, de 34 anos, foi baleado na perna, mas passa bem. Os assaltantes fugiram levando duas bolsas com dinheiro que Oliveira carregava. Os dois comparsas de Edvardo ainda não foram identificados.

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