Secom/Divulgação
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Coronel e major do COE são presos em operação no Rio de Janeiro

PMs são acusados de liderar quadrilha que cobrava propina de comerciantes e motoristas; 22 foram detidos e 2 seguem foragidos

THAISE CONSTANCIO, O Estado de S. Paulo

15 de setembro de 2014 | 09h33

Atualizado às 22h18

RIO - Terceiro homem na hierarquia da Polícia Militar, o coronel Alexandre Fontenelle Ribeiro de Oliveira da Polícia Militar foi preso nesta segunda-feira, 15, sob a acusação de liderar uma quadrilha formada por policiais e envolvida em extorsões no bairro de Bangu, na zona oeste do Rio. Ele comandava as tropas de elite da Polícia fluminense, entre elas o Bope.

Segundo as investigações do Ministério Público do Rio e da Secretaria da Segurança do Estado, o esquema criminoso funcionava dentro do 14.º Batalhão, em Bangu, e envolveu todos os quadros do quartel, dos oficiais aos praças. 

Três pessoas estão foragidas e 22 foram presas, denunciadas pela promotoria por formação de quadrilha armada. Também foram cumpridos 53 mandados de busca e apreensão. As investigações sobre a quadrilha já estavam em curso em agosto de 2013, quando o coronel e o major Carlos Alexandre de Jesus Lucas, também detido nesta segunda, assumiram, respectivamente, os cargos de comandante e subcomandante do Comando de Operações Especiais (COE) da PM, ao qual estão subordinadas as tropas de elite. 

Com o coronel, que foi destituído do cargo e preso em casa, no Leme (zona sul), foram encontrados extratos bancários com valores elevados, incompatíveis com a renda (R$ 17.107 líquidos), a contabilidade da quadrilha, e bilhetes com as cotas dos integrantes. O MP do Rio anunciou que investigará o patrimônio do coronel. 

Integrantes da cúpula do 14.º BPM, também foram presos os majores Nilton João dos Prazeres Neto e Edson Alexandre Pinto de Góes, além dos capitães Rodrigo Leitão da Silva e Walter Colchone Netto. Para o Ministério Público, o envolvimento de toda a hierarquia do quartel reflete a “institucionalização da corrupção”. 

Máfia. Na casa do major Edson foram apreendidos R$ 287 mil, segundo o MP. O capitão Colchone já havia sido preso em 2013, durante operação contra a máfia de caça-níqueis e estava lotado administrativamente no setor de Inteligência do COE, sob comando do coronel Fontenelle. “Isso nos ajudou a reforçar o vínculo entre eles”, afirmou o subsecretário de Inteligência da Secretaria da Segurança, Fábio Galvão.
 
Durante as investigações, de 2012 e 2013, foi possível verificar que a quadrilha já agia no 41.º BPM (Irajá, zona norte), onde os oficiais acusados de chefiarem o grupo estavam lotados anteriormente, e manteve o modo de atuação quando houve a transferência para Bangu. O esquema funcionava como uma empresa. Em vez de coibir a circulação de veículos irregulares e a venda de produtos piratas, os praças se aproveitavam da situação ilegal para exigir propinas de mototaxistas a transportadoras de cargas que circulavam em Bangu. Os valores variavam de R$ 10 a R$ 2,6 mil e eram cobrados em periodicidades variadas, diretamente das empresas.  Depois, o dinheiro era repassado para a “administração”, a cúpula do quartel. 

Havia dois modelos de arrecadação, de acordo com o promotor Cláudio Caio Costa: a “escravidão”, em que os praças ficavam com a maior parte da arrecadação e a “administração” recebia um porcentual de produtividade. No esquema de “valor fixo”, a quantidade de dinheiro repassada para a cúpula era previamente estabelecida e o excedente, dividido entre os praças. “Havia uma organização empresarial (no quartel), tanto que o nome da operação é ‘Amigos S/A’ porque existia uma presidência (Fontenelle), a diretoria dessa sociedade anônima (os cinco oficiais) e a equipe de vendas, que eram os praças.”

Os envolvidos responderão na Justiça Militar a cada uma das concussões (extorsões praticadas por servidores), apuradas às centenas pela promotoria. Responderão ainda na Justiça Comum por formação de quadrilha armada (pena de até 6 anos) e serão investigados por lavagem de dinheiro. O MP pedirá indenização por danos morais à imagem do Rio e da PM.

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