Carla Leite
Carla Leite

Corpo de bebê desaparece de hospital no Rio de Janeiro

Kevin deveria ter sido enterrado na terça, quando pai foi avisado sobre desaparecimento; família protestou nesta quinta

Ana Paula Niederauer e Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

08 Novembro 2017 | 13h00
Atualizado 10 Novembro 2017 | 00h19

RIO - A Polícia Civil do Rio investiga o desaparecimento do corpo de um bebê no Hospital Pasteur, no Méier, zona norte da cidade, como um caso de “subtração ou descarte indevido”. O bebê, que se chamaria Kevin e estava no quinto mês de gestação, deveria ser enterrado na terça-feira, mas ao chegar ao hospital para levar o corpo o pai foi informado simplesmente que o corpo havia sumido.

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Nesta quinta-feira, 9, o delegado que preside o inquérito sobre o caso, Carlos Cesar Santos, descartou uma eventual troca de corpo - outro recém-nascido havia morrido no mesmo dia no hospital. “Tinha outro corpo, mas, pelos horários, quando o maqueiro chegou com este que estamos investigando, já tinha sido liberado pela funerária”, apontou o titular da 26.ª DP (Todos os Santos), na zona norte do Rio.

O policial informou que já teve acesso às imagens do circuito interno de vídeo do centro médico, mas elas se resumem aos corredores. “Até havia câmera no interior do necrotério, mas segundo o hospital ela não estava funcionando”, declarou o delegado.

A Polícia Civil já ouviu funcionários que trabalharam no domingo, dia em que Kevin morreu, e representantes do hospital. Os próximos depoimentos serão dos profissionais que atuaram na segunda-feira, da equipe que trabalha na limpeza da unidade de saúde, e da mãe, Rayane Araújo, que será ouvida na tarde desta sexta-feira, 10. 

Um dos que prestaram esclarecimentos foi o diretor do Pasteur, Danilo Abreu. Ao deixar a delegacia, na tarde desta quinta, ele foi lacônico em suas declarações. “O hospital está totalmente empenhado na resolução desse caso”, declarou Abreu. Ele também afirmou que “as informações já foram todas passadas à família”, o que causou indignação em parentes que aguardavam do lado de fora da delegacia. “Eu sou a Carine e falei com o senhor! Não nos foi passado nada”, reclamou Carine Silva, outra irmã de Rayane.

Em nota, o Hospital Pasteur informou que “lamenta o episódio, se solidariza com a família e mantém-se empenhado na elucidação dos fatos junto às autoridades policiais”.

 

No início da tarde, enquanto os familiares protestavam, outra mãe apareceu para apontar descarte de bebê e erro médico no Pasteur. Vestindo uma camiseta com a foto da filha Dyanne, Magnolia Pinto Nunes disse que foi dar apoio à família. 

Segundo ela, em 2015 a filha, então com 17 anos, deu entrada no hospital quando estava perto do quarto mês de gravidez. Ela perdeu o filho, teve complicações, passou 23 dias no CTI e morreu. O caso ainda é investigado. O Estado não conseguiu ouvir o Pasteur sobre esse segundo caso.

Desaparecimento

O sumiço do bebê Kevin só foi constatado na terça-feira, quando familiares e amigos já estavam no Cemitério da Cacuia, na Ilha do Governador, zona norte. O sepultamento estava marcado para as 11 horas. “Estava todo mundo aguardando o Wanderson (pai, marido de Rayane) levar o corpinho do bebê. A gente levou roupinha, terço, e até o padre estava lá”, contou Carla Leite, irmã de Rayane. “No fim da manhã, o Wanderson ligou dizendo que haviam perdido o bebê.”

Carla contou que, a partir disso, precisaram esconder o sumiço da mãe. “Conseguimos convencer a minha irmã a não ir, graças a Deus. Imagina se ela está lá e o corpinho não chega?”, comentou. “A gente ficou o dia todo inventando desculpa, dizendo que faltava um documento. Só no fim do dia, quando chegamos em casa, contamos o que tinha acontecido.”

Segundo Carla, Rayane está inconsolável. “Não bastasse toda a tristeza, para completar agora o seio dela está com muito leite, porque fizeram ela ter um parto normal, e o corpo identificou isso. Cada hora que vaza leite, entra em desespero, vai aos prantos.”

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