Corpo de menino morto durante operação da PM é enterrado

Wesley Saturnino Barreto, de 3 anos, foi atingido por três tiros durante operação na favela do Jacarezinho

Clarissa Thomé, de O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2008 | 12h30

O corpo do menino Wesley Damião da Silva Saturnino Barreto, de 3 anos, - atingido por três tiros durante operação policial na favela do Jacarezinho na quinta-feira - foi enterrado nesta sexta-feira no cemitério São Francisco Xavier, na região portuária. Não houve velório e o clima era tenso - um morador da favela chegou a agredir uma repórter do jornal O Dia.   Veja Também:   Operação policial no Morro do Jacarezinho deixa sete mortos     No início da manhã, antes da chegada do corpo do menino ao cemitério, a bisavó materna de Wesley, Maria Helena Gomes, de 58 anos, lamentou a morte da criança. "Como fizeram isso com ele? Eu soube pela televisão que essa tragédia tinha acontecido. Eu tinha uma casinha na Mangueira, mas mudei para Niterói para fugir da violência. Não dá para ficar num lugar assim", comentou.   Regiane Gomes, de 30 anos, tia-avó de Wesley, disse que havia combinado com Débora Damião da Silva, mãe do menino, de passarem este fim-de-semana juntos. "Moramos numa região de praia, e ele adorava o mar. Era um menino alegre, saudável, arteiro - uma criança normal. Eles iriam lá para casa na sexta. É difícil acreditar". Uma parente informou que o pai do menino, Ricardo Saturnino Barreto, foi morto a tiros dois anos atrás.     Por volta das 10 horas, a mãe de Wesley chegou ao cemitério, acompanhada por um grupo de 20 moradores do Jacarezinho. Ela estava muito emocionada e foi cercada por pessoas que a orientaram a não dar entrevista. Logo depois um dos homens que estava no grupo agrediu a repórter com um empurrão.   Quando o corpo chegou, não houve velório. A pedido da família, o caixão foi aberto durante o trajeto para o sepultamento. Familiares entraram em desespero. Um homem começou a filmar fotógrafos e repórteres e os jornalistas decidiram se retirar do cemitério.   Na sexta-feira, em entrevista ao Estado, o tenente-coronel Alberto Pinheiro Neto, havia dito que os tiros que atingiram Wesley não partiram da polícia. "O médico afirmou que os tiros foram de pistola e o Bope usa fuzis. Alguém atingido por três tiros não é vítima de bala perdida", disse. Ele levantou a hipótese de criminosos terem atirado na criança para fazer a população se voltar contra a polícia.   Débora saía de um mercado, com o filho de 6 meses no colo e levava Wesley pela mão. Foi surpreendida no meio de um tiroteio e tentou se proteger com os filhos, mas o mais velho já havia sido atingido. Ele foi socorrido por moradores e morreu no Hospital Salgado Filho.     Bala perdida     Maria Lúcia Oliveira dos Santos, de 54 anos, morreu na madrugada de sábado depois de ser atingida por uma bala perdida em frente ao Hospital Municipal de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Ela tinha deixado o ex-marido na emergência e saiu para fumar um cigarro. As duas enfermeiras que a acompanhavam ouviram vários estampidos. Maria Lúcia foi atingida na clavícula e o tiro provavelmente perfurou uma artéria importante. Apesar do socorro imediato, ela morreu minutos depois. A 59ª DP investiga o caso.   (Colaborou Márcia Vieira, de O Estado de S.Paulo)

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