FERNANDO SOUZA/AGÊNCIA O DIA
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Corpo de traficante Playboy é sepultado no Rio de Janeiro

Cerca de 50 pessoas compareceram ao velório; em torno do caixão, foram depositadas diversas coroas de flores em homenagem ao traficante

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

09 Agosto 2015 | 18h07

RIO - O corpo do traficante Celso Pinheiro Pimenta, conhecido como Playboy, foi sepultado por volta das 16h deste domingo, 9, no Cemitério São Francisco de Paula, no Catumbi, região central do Rio de Janeiro. O bandido foi morto ontem no Morro da Pedreira, em Costa Barros, na zona norte, em operação conjunta da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Federal e do serviço de inteligência da Polícia Militar (PM). Ele tinha 33 anos e era um dos criminosos mais procurados do País. Contra ele, havia mandados de prisão cujas penas somavam mais de 15 anos.

Cerca de 50 pessoas compareceram ao velório. Em torno do caixão, foram depositadas diversas coroas de flores em homenagem ao traficante. Presente ao velório, Cosme Pinheiro, de 62 anos, tio de Playboy, classificou a ação como uma execução e garantiu que a família não sossegará enquanto não tiver reparações. “A polícia foi lá para matar. A família vai entrar com uma ação contra o Estado porque ele foi executado”, disse ao jornal Extra. Segundo ele, o sobrinho “tinha um lado ruim, sim, mas tinha um lado bom”.

Logo após as notícias da morte de Playboy, o fundador da ONG AfroReggae, José Júnior, publicou ontem um vídeo em uma rede social com um trecho de uma conversa com o traficante, gravada em 29 de janeiro de 2015. A publicação da entrevista estava condicionada à rendição ou à morte de Playboy. “Sou um ser humano que tentou ser trabalhador, mas as circunstâncias da vida não permitiu (sic)”, disse o criminoso no único trecho divulgado.

Em Costa Barros, muitos declararam luto em pichações em muros e em redes sociais. Pelo menos dois funks compostos em tributo a Playboy, que pertencia à facção Amigos dos Amigos (ADA), circularam nas redes sociais. “A facção tá (sic) de luto, eu vou te dizer / Ai que saudade do Playboy, nunca vou te esquecer (...) Quem traiu vai pagar, quem traiu vai pagar / Somos Amigos dos Amigos, somos ADA”, diz uma das letras.

As forças de segurança declararam ontem que já preveem que outra pessoa poderá assumir o comando exercido até hoje por Playboy. Os mais cotados são Carlos José da Silva Fernandes, o Arafat, de 37 anos, foragido desde 2012, e Gilberto Mendes Dias, o Betinho, de 46, foragido desde 2010. Ambos são classificados como o segundo na hierarquia do tráfico. Emerson Brasil da Silva, o Raro, de 26 anos, tido como o braço-direito de Playboy, também está foragido. O Disque Denúncia oferece recompensa de R$ 1 mil pela captura de cada um deles.

Para evitar uma onda de violência, as autoridades anunciaram que 400 agentes da Core, a tropa de elite da Polícia Civil, vão ocupar o morro por tempo indeterminado. Hoje, agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope), soldados da PM e o Batalhão de Choque reforçavam o policiamento na região. Mesmo assim, muitos moradores ficaram com medo. Apesar da aparente tranquilidade no local, a Unidade de Pronto Antendimento (UPA) em Costa Barros ficou de portas fechadas neste domingo.

“Devido à instabilidade de segurança da localidade e seguindo o protocolo de acesso seguro da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), os profissionais da unidade foram redirecionados neste domingo para UPAs de regiões vizinhas”, informou a secretaria em nota.

Nas redes sociais, moradores manifestaram temor com as consequências da morte de Playboy. Na região chefiada pelo traficante, os tiroteios eram constantes, e a polícia procurava andar em grupos e protegida em carros blindados. Próximo dali fica o Morro do Chapadão, outro dos mais violentos do Estado, vinculado ao Comando Vermelho (CV), facção rival.

“Sempre tive medo do que ia acontecer com a galera que mora aqui quando esse cara (Playboy) morresse, sinceramente estamos f.”, escreveu uma moradora, mencionando a “guerra” que se vivia antes de o traficante assumir o comando do Morro da Pedreira.

Playboy foi morto ontem pela polícia após ser encontrado na casa da namorada, não identificada. A “operação cirúrgica”, segundo a PF, começou a ser preparada às 7h de sábado e tinha o objetivo único de localizar o traficante, o que ocorreu no fim da manhã. Ao deparar com os policiais, Playboy tentou reagir e acabou baleado. 

Levado ao Hospital Geral de Bonsucesso, ele não resistiu aos ferimentos e faleceu no início da tarde de ontem.

As investigações que culminaram na operação já duravam um ano, e a ação mobilizou quase uma centena de agentes, três veículos blindados e apoio aéreo. Apesar disso, não houve confronto com outros bandidos. Segundo a PM, Playboy vinha se preparando para uma nova invasão ao Complexo da Maré, em conjunto com o Comando Vermelho (CV), com quem dividiria o território, recentemente deixado pelo Exército. 

Playboy era apontado como um dos líderes da facção ADA. Além do tráfico de drogas, atuava também como chefe de uma quadrilha de roubo de cargas. Nos últimos anos, comandou, em parceria com traficantes do Complexo do Caju, tentativas de invasão de favelas do Complexo da Maré, ambos na zona norte, levando terror aos moradores. O traficante estava foragido desde 2009 e raramente saía do Morro da Pedreira, um dos mais pobres e violentos do Rio.

Playboy ganhou o apelido por ter crescido em Laranjeiras, bairro da zona sul do Rio, mas teria entrado no mundo do crime já aos 16 anos, segundo a polícia. Ele pertenceu à quadrilha de Pedro Machado Lomba Neto, o Pedro Dom, especializada em assalto a residências. Jovem da classe média carioca que ingressou cedo no crime, Pedro Dom foi morto pela polícia em 2005, na Lagoa (zona sul).

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