Reprodução do relatório do Crea sobre a Ciclovia Tim Maia
Reprodução do relatório do Crea sobre a Ciclovia Tim Maia

Crea pede interdição total da Ciclovia Tim Maia entre São Conrado e Leblon

Parte da estrutura desabou em abril do ano passado, provocando duas mortes; laudo aponta corrosão, fissuras e infiltrações

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

28 Março 2017 | 11h14
Atualizado 28 Março 2017 | 21h40

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (Crea-RJ) recomendou nesta terça-feira, 28, a interdição total da Ciclovia Tim Maia, entre São Conrado e Leblon, na zona sul, até a recuperação da pista e das estruturas de sustentação da via. Para os técnicos, não há segurança para que pedestres e ciclistas usem a pista. Parte da ciclovia desabou em 21 de abril passado, matando duas pessoas.

“Este trecho inteiro tem problemas. Hoje não há condições de segurança para utilização da ciclovia”, afirmou o presidente do Crea, Reynaldo Barros. Laudo do órgão, feito a pedido da Justiça, aponta corrosão em estruturas, fissuras em blocos de concreto da fundação, infiltrações no piso e juntas de dilatação vedadas por estruturas de madeira já em processo de corrosão. Até nos trechos em que a ciclovia está apoiada no solo foram encontrados problemas. “O aterro apresenta afundamento e consequentemente o piso encontra-se quebrado, com muitas fraturas e pontos de infiltração que tendem a alimentar o processo de deterioração”, diz trecho do relatório.

“A ciclovia tem pouco mais de um ano de operação e apresenta sinais de desgaste muito intensos”, afirma Barros. Ele evitou criticar diretamente a execução da obra. “A responsabilidade, civil e criminal, será apontada pela Justiça.” O trecho da ciclovia São Conrado-Barra não foi analisado.

Barros defende que a prefeitura aproveite o período de ressaca, que ocorre entre abril e agosto, para a revisão da obra. O relatório recomenda ainda que seja feito estudo dos fenômenos meteorológicos que influenciam na estrutura da ciclovia. Esse monitoramento deve demorar pelo menos dois anos, período no qual a via deve permanecer fechada para o público nos meses com maior probabilidade de ressacas.

O advogado Fernando Marcondes, presidente do Instituto Brasileiro de Direito da Construção (IBDiC), lembra que itens de segurança tem garantia de cinco anos após a conclusão da obra. “Sinais de corrosão em função de proteção inadequada da ferragem que tem dentro do concreto, problemas na junta de dilatação, tudo isso é item de segurança. Essa obra tem de ter vida útil bastante longa. Esse problema se apresentaria com muito mais tempo. Uma obra no litoral, que sofre com umidade, corrosão por maresia, tudo isso tem de ser levado em conta. O poder público tem todo o direito de mover ação contra a empresa responsável pela obra”, afirmou. 

O Consórcio Contemat/Concrejato, responsável pela construção da Ciclovia Tim Maia, informou em nota que “nenhuma das considerações quanto à qualidade da construção gera risco à segurança da estrutura da ciclovia e de seus usuários, desde que realizada a manutenção regular do equipamento”. Ainda de acordo com o texto, o consórcio está “analisando criteriosamente” cada questão apontada no relatório antes de se pronunciar “de forma definitiva”.

A Procuradoria-Geral do Município aguarda a análise do laudo do Crea pelos técnicos da Geo-Rio, para se pronunciar em juízo, informou o órgão em nota. “A prefeitura ressalta que, se ficar comprovada falha na execução da Ciclovia Tim Maia, vai adotar todas as medidas necessárias para adequação pela empresa contratada.

Acidente. Em 21 de abril de 2016, parte da ciclovia foi derrubada pela força da ressaca. O engenheiro Eduardo Marinho Albuquerque, de 54 anos, e o gari Damião Pinheiro de Araújo, de 60, passavam pela via e morreram ao ser arrastados pela onda. A prefeitura fez acordos para indenizar as famílias. O Estado não conseguiu localizar as viúvas de Albuquerque e Araújo.

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