Creche de três andares desaba; duas crianças morrem

Local, onde funcionavam escola e igreja, passava por reforma, que havia sido embargada pela Defesa Civil

Alexandre Rodrigues e Talita Figueiredo, Especial para o Estado

27 Setembro 2007 | 21h00

Uma edificação de três andares desabou na noite de quinta-feira, 27, em Marechal Hermes, na zona norte do Rio, causando a morte de duas crianças e deixando pelo menos doze feridos. Às 21 horas, os bombeiros ainda trabalhavam nos escombros, à procura de vítimas.   Graças à intervenção rápida dos soldados, Rosângela Fernandes dos Santos Cavalcanti, de 43 anos, foi retirada com vida. Mas sua filha, Sara, e outra menina, identificada apenas como Rafaela, morreram. Ao ser socorrida, Rosângela afirmou que havia pelo menos 16 crianças no prédio, mas algumas podem ter conseguido escapar do soterramento. Há alguns anos, ela dava aulas de reforço para crianças do curso primário em sua casa, que ficava no primeiro andar da construção que ruiu.   Rosângela ganhava R$ 50,00 por aluno. Segundo os vizinhos, durante a manhã, ela trabalha no Colégio Marechal Hermes, um estabelecimento de ensino particular da região.   O desabamento ocorreu pouco antes das 20 horas. O prédio - na Rua Navarro da Costa, 388 - passou por reformas, nos últimos dois anos, para que se criasse um segundo andar, onde eram realizados cultos evangélicos, e um terceiro pavimento, onde funcionava uma creche e se instalou uma piscina. De acordo com os vizinhos, a obra chegou a ser embargada pela Defesa Civil, mas a reforma continuou.   Inicialmente circularam informações de que o prédio havia caído por causa do deslocamento de ar provocado por um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), que teria sobrevoado o local em baixa altitude. Ao lado de Marechal Hermes fica a Base Aérea de Campo dos Afonsos e diversos quartéis do Exército. O diretor de Defesa Civil do Rio, José Carlos Mariano, porém, destacou que a hipótese mais provável envolve o dano à estrutura causado pelas reformas, considerando o estado precário de conservação do prédio.   Morador do bairro, Paulo Cesar Gomes, de 55 anos, tomava cerveja num bar quase em frente ao prédio, quando ocorreu o desmoronamento. "Eu venho aqui com alguma freqüência, mas só hoje notei que este prédio estava crescendo (ficando mais alto). Chamou minha atenção porque estava ficando bonito. De repente, ouvi um estrondo. Não acreditei quando vi o prédio desabar. O pior eram as mães desesperadas, procurando os filhos que estavam tendo aulas."   A dona de casa Clara Caldas, de 39 anos, correu para casa, abalada. "Minha sobrinha estuda lá e quase que minha filha, de 12 anos, começou a ter aulas com a professora Rosângela. E me deu um aperto no coração ao pensar que minha filha podia estar ferida ou morta." Até as 22h30, ela ainda esperava notícias da sobrinha.   Feridos   Cerca de 40 bombeiros de diferentes quartéis foram chamados para ajudar no socorro das vítimas. Militares do Exército e da Aeronáutica também se revezaram nas buscas. Os bombeiros utilizaram uma retroescavadeira para retirar os escombros. No início da operação, houve grande aglomeração de curiosos, que precisaram ser retirados pela polícia, por volta das 22h20.   Para o Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes, foram levadas três crianças: Matheus Marcelino da Silva, de 11 anos, e as gêmeas Larissa Cristina Pessanha Costa e Natália Isabel Pessanha Costa, de 7 anos. Com escoriações, eles foram medicados e liberados antes das 22 horas.   A professora Rosângela foi levada para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha, com parte do couro cabeludo arrancado. Na unidade, foi também atendida Andressa Cristina Castro Marreira, de 13 anos, que passa bem. Outros dois feridos, não identificados até o fim da noite, continuavam internados no hospital.

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