Hospital Geral de Nova Iguaçu
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Criança de 3 anos é baleada na cabeça na Baixada Fluminense

Menino foi atingido enquanto brincava na sala de casa, em São João de Meriti; seu estado de saúde é gravíssimo

Constança Rezende e Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2017 | 17h38
Atualizado 01 Novembro 2017 | 19h40

RIO - Um menino de 3 anos foi atingido na testa por uma bala perdida quando estava na sala de casa, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, na noite de segunda-feira, 30. Até o início da noite desta quarta-feira, 1º, estava internado em estado grave no Hospital Geral de Nova Iguaçu, na mesma região. Segundo os médicos, se sobreviver, Vitor Gabriel Matheus Leite Coelho corre o risco de ficar com sequelas graves. A polícia tenta descobrir o autor do disparo.

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"Ele estava no sofá de casa, vendo TV com os irmãos mais velhos (dois gêmeos de 7 anos). Eu havia chegado em casa, entreguei um remédio que havia trazido para minha mulher e tinha acabado de sentar na sala. Ouvi um estrondo, um barulho semelhante à explosão de uma bexiga, e vi o Vitor caído, sangrando", conta o pai de Vitor, o pedreiro Anderson Neves de Oliveira, de 56 anos. "Achei que ele tivesse caído, batido a cabeça em alguma ponta do sofá e por isso estivesse ferido."

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O pai pegou Vitor no colo e saiu à rua, no bairro São Mateus, em busca de socorro. Um vizinho levou o garoto e a família ao Hospital Municipal Juscelino Kubitschek.

"Contei ao médico que o Vitor tinha caído do sofá e provavelmente tinha algum pedaço de madeira na cabeça. O médico olhou, disse que era mais grave e mandou transferir imediatamente para o Hospital da Posse (Geral de Nova Iguaçu)", contou o pai. "Só quando chegamos ao outro hospital e foi feita tomografia é que descobri que meu filho havia sido atingido por uma bala perdida. Depois vi o buraco no telhado, que é de fibra."

Oliveira disse que não sabe o que pensar do episódio.

"Estou com muita raiva e muita tristeza e sei que nunca vou descobrir o autor desse disparo", prevê Oliveira, que é pai de quatro filhos. Além de Vitor, que vai completar 4 anos em 1º de janeiro, e dos dois gêmeos de 7 anos, tem uma filha de 1 ano e 4 meses.

Segundo os médicos, a situação de Vitor é muito grave. "A bala entrou pela testa, atravessou um hemisfério cerebral e parou na área da nuca. Foi o pior caminho que poderia ter feito, porque afetou muitas áreas do cérebro", conta o diretor do hospital, Joé Gonçalves Sestello.

 

"A criança foi submetida a uma cirurgia para fazer limpeza cirúrgica e verificar se havia hematomas. Nesse primeiro momento, é comum deixar o projétil no lugar, para evitar agravamentos. Depois, se houver necessidade, ele será retirado", explica Sestello. "Vitor está muito instável e ainda não demonstrou nenhuma melhora neurológica. Temos que aguardar. Se sobreviver, pode ter sequelas sérias."

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil, mas ainda não há nenhum indício quanto à autoria do tiro que atingiu Vitor.

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